sábado, outubro 02, 2010

13 razões para votar em Dilma Rousseff



1. Dilma é a continuação do governo Lula. Esta é a mãe de todas as razões. O governo Lula é aprovado por mais de 80% dos brasileiros e acumula, em todas áreas, uma coleção de números de fazer inveja a qualquer outro governo da nossa história republicana. A pobreza caiu pela metade. Mais de 30 milhões de brasileiros se juntaram à classe média. O salário mínimo subiu 74% sobre a inflação. Mais de 14 milhões de empregos foram criados. Dilma Rousseff foi parte deste governo desde o primeiro minuto e é a legítima herdeira desse legado (pdf).





2. Dilma continua a política de fortalecimento do patrimônio público. Uma das razões pelas quais o PSDB foge da figura de Fernando Henrique Cardoso como o diabo foge da cruz é a categórica opção, feita pela esmagadora maioria da sociedade brasileira, contra o privatismo, a desregulamentação e a venda do patrimônio público na bacia das almas. Somos um país de centro-esquerda, neste sentido. Nada foi privatizado no governo Lula e empresas como a Petrobras deram um salto gigantesco, de combalida candidata a ser “desmontada osso por osso” à condição de quarta maior empresa do mundo, responsável pela maior capitalização da história da humanidade. É Dilma, não nenhum outro candidato, quem representa a continuação desse fortalecimento.
dilma-3.jpg
3. Com Dilma sabemos que nossos irmãos mais pobres continuarão a ter acesso ao Bolsa-Família. Mais de 12,6 milhões de famílias foram beneficiadas pelo maior programa de transferência de renda do mundo. Não somente nós, de esquerda e centro-esquerda, mas também economistas liberais e instituições como o Banco Mundial concordam que o Bolsa-Família é parte essencial da redução da desigualdade. O principal candidato da oposição, José Serra, não conseguiu unificar sequer sua campanha ao redor de uma posição sobre esse tema. Chegou-se, inclusive, à bizarra situação de que enquanto o candidato prometia dobrar o BF, seus correligionários e sua própria esposa davam declarações que associavam o programa à “vagabundagem”. Com Dilma não tem erro: continuaremos a reduzir a desigualdade no Brasil.
4. Dilma representa uma política externa altiva, soberana e baseada no diálogo. A política externa é um dos grandes êxitos do governo Lula. Passamos de uma situação subordinada, em que discutíamos a entrada numa órbita estritamente controlada pelos EUA, que trouxe consequências tão desastrosas para os nossos irmãos do México, à condição de país internacionalmente respeitado, ouvido nos fóruns mundiais e líder incontestável da América Latina. A campanha do principal candidato da oposição foi marcada por desastrosas declarações, cheias de insultos aos nossos vizinhos. Traduzidas em política externa, seria uma fórmula certa para que o Brasil perdesse o lugar que conquistou no mundo. A opção pelo diálogo, pelo respeito às instâncias multilaterais e pela autodeterminação dos povos foi um sucesso no governo Lula e está em sintonia com as melhores tradições do Itamaraty. É Dilma quem representa essa opção.
5. Dilma provou ser uma verdadeira democrata. Nenhuma candidata à Presidência no período pós-ditatorial—nem mesmo Lula—sofreu bombardeio midiático comparável ao que foi lançado sobre Dilma Rousseff nesta campanha. Acusações falsas sobre seu passado; grosseiras infâmias sexistas; falsas notícias; manipulação de declarações suas; mentiras sobre suas contas; fichas policiais adulteradas: tudo foi lançado contra ela. Em nenhum momento Dilma moveu um dedo para calar ou censurar qualquer jornalista. Por outro lado, José Serra, tratado de forma infinitamente mais dócil pela imprensa brasileira, demonstrou amplamente que não é confiável no quesito democracia. Exigiu cabeças de jornalistas nas redações; confiscou fitas de vídeo; deu-nos uma patética coleção de pitis. Mostrou que não convive bem com a crítica. É com Dilma, não com Serra, que garantiremos a continuação da nossa condição de um dos países com mais ampla liberdade de expressão do mundo.
6. Dilma dá show de conhecimento numa das áreas mais importantes da atualidade, a energia. Em 2003, quando Dilma assumiu o Ministério das Minas e Energia, o Brasil vivia uma situação periclitante. Acabávamos de viver um vergonhoso racionamento. Dilma arrumou a casa, garantiu a segurança no abastecimento e a estabilidade tarifária. Participou diretamente da implantação do Luz para Todos, cuja meta original era 2 milhões de ligações, mas que em abril de 2010 já havia realizado 2,34 milhões de ligações, beneficiando 11,5 milhões de pessoas. Nossa produção de petróleo passou a 2 milhões de barris por dia. O pré-sal, descoberta possibilitada pelo trabalho de Dilma, dobrou nossas reservas de petróleo. Além de tudo isso, Dilma já provou ser conhecedora profunda das fontes limpas e renováveis de energia. Faça uma enquete entre os engenheiros da Petrobras. As intenções de voto em Dilma, entre eles, deve andar em torno dos 90%. Eles sabem o que fazem.
7. Dilma é a mais equipada para expandir e melhorar a educação no Brasil. Neste quesito, a comparação entre o histórico petista e o histórico tucano é uma surra de proporções inomináveis. Enquanto em São Paulo, alunos e professores sofrem com a falta de investimento e, acima de tudo, com a falta de respeito, emblematizada nas frequentes pancadarias policiais a que são submetidos, o Brasil criou, durante o governo Lula, 16 novas universidades, mais de 100 novos campi, mais de 200 novas escolas técnicas, mais de 700.000 novas vagas para pobres, a maioria negros e mulatos, através do ProUni. Os professores da rede federal saíram da situação de arrocho salarial em que viviam e agora têm um plano de carreira digno (que ainda pode e deve melhorar, sem dúvida, mas que representou um salto gigantesco em relação ao governo FHC). Se você é aluno, professor ou funcionário do ensino, ou tem filhos na escola, basta olhar para o histórico dos dois principais candidatos e você não terá dúvidas sobre em quem votar.
8. Dilma não criminalizará os movimentos sociais. O histórico tucano na relação com os movimentos sociais é péssimo. Professores espancados no Rio Grande do Sul e em São Paulo; os ativistas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra tratados como criminosos durante o governo de Fernando Henrique Cardoso; o funcionalismo público submetido a arrocho salarial e a uma total recusa ao diálogo em Minas Gerais. Sem misturar movimento social com governo, sem transigir na aplicação da lei, quando de aplicar a lei se tratava, Lula e Dilma estabeleceram com as manifestações políticas da sociedade brasileira uma relação de respeito e diálogo. É assim que deve ser. As declarações de José Serra sobre, por exemplo, o MST, são profundamente preocupantes. É com paz e negociação que se resolvem os embates entre movimentos sociais e governo, não com porrada. Dilma é a garantia de que essa política continuará sendo seguida.
9. Dilma representa um novo reencontro do Brasil com seu passado. Notável na sua capacidade de falar sobre um passado traumático, admirável na tranquilidade com que se refere às torturas a que foi submetida, Dilma teve o dom de não transformar o rancor e o ressentimento em arma política. O Brasil está anos-luz atrás dos seus vizinhos do Cone Sul naquele processo para o qual os alemães cunharam essa belíssima palavra,Vergangenheitsbewältigung, que poderíamos traduzir como o dom de acertar as contas com o passado. É Dilma quem nos pode guiar na revisão desse pretérito ainda tão recente e tão pouco saldado. Sem rancor, sem revanche, sem ódio, mas sem transigir na aplicação da lei.
10. Dilma tem com quem governar, tem equipe. Este blog respeita o voto verde e respeita Marina Silva. Mas a afirmativa, tantas vezes feita por Marina nesta campanha, de que governaria com “os melhores do PT e do PSDB”, como se não existisse um pequeno detalhe chamado política, só se explica pela ingenuidade ou pela manipulação da ingenuidade. Um político governa com a equipe política que conseguiu montar, e é a equipe de Dilma quem botou Brasília para funcionar de acordo com os interesses dos mais pobres durante os últimos oito anos. Com todos os seus problemas, é o PT, não o PV, quem tem quadros experimentados o suficiente para a gestão de um país complexo como o Brasil. Isso não é por acaso. Mais de 50% dos brasileiros que têm alguma opção partidária preferem o PT. Por volta de 30% da população escolhe o PT como o partido de sua preferência. PMDB e PSDB seguem de longe, muito longe, com 6%.
11. Dilma é mais internet para todo mundo. O principal candidato da oposição, José Serra, pertence a uma força política que já demonstrou não ter compromissos com a expansão da internet para as camadas mais pobres da população. Expressão privilegiada dos grandes conglomerados midiáticos do país, o tucanato é responsável por desastres como o AI-5 Digital, uma coleção de inomináveis asneiras destinadas a cercear, censurar e controlar a liberdade da internet. Sob o governo Lula, o acesso à rede mundial de computadores aumentou muito e é Dilma, não qualquer outro candidato, quem tem histórico e compromisso com a implementação do Plano Nacional de Banda Larga, uma verdadeira de carta de alforria informativa no país. Quanto mais gente tiver acesso à internet, mais democrática e bem informada será a nossa sociedade. Os pobres sabem disso e estão com ela, em sua esmagadora maioria.
12. Dilma tem uma bela, impecável história de vida. Representante da geração que correu risco de morte para lutar contra a ditadura com os recursos que tinha, Dilma jamais renegou seu passado. Com serenidade, ela sempre explica que o contexto mudou, que o mundo é outro, e que agora ela luta com outros instrumentos, dentro da normalidade democrática. Mas ela nunca fez as penitências meio patéticas, as autocríticas confortáveis a que nos acostumamos ao ouvir, por exemplo, Fernando Gabeira. Representante também da geração que acompanhou Leonel Brizola na recomposição do legado varguista na pós-ditadura, ela jamais renegou a herança do trabalhismo. Dilma Rousseff é a ponte entre o que de libertário e popular havia no trabalhismo brasileiro e o que de novo e transformador trouxe o Partido dos Trabalhadores. Sua presença já na administração Olívio Dutra em Porto Alegre mostrou que ela estava consciente de que essa ponte era possível. Muitos petistas—este atleticano blogueiro incluído—adotaram, especialmente nos anos 80, posturas sectárias e intolerantes ante o trabalhismo, incapazes que fomos de ver qualquer característica positiva no movimento que conferiu cidadania à classe trabalhadora pela primeira vez. Dilma é a possibilidade de aprofundamento desse diálogo entre o lulismo e tradição trabalhista que ele transforma. Essa bela história de vida está bem narrada em seu primeiro programa de TV: 


13. Dilma representará uma vitória inesquecível para as mulheres brasileiras. Ainda somos um país muito machista. A violência doméstica é uma realidade cotidiana para milhares, talvez milhões de mulheres, especiamente as mais pobres. As mulheres ainda recebem bem menos que os homens pelo mesmo trabalho. A maioria da população feminina ainda acumula uma dupla jornada de trabalho. Não só por ser mulher, mas também por pertencer a um projeto político que já demonstrou ser aliado das mulheres na luta, Dilma pode contribuir a mitigar essa situação e nos fazer avançar nessa área tão urgente. Não é desimportante, claro, o fato de que ela é mulher: da mesma forma como a vitória de Lula, por si só, representou imenso ganho para a autoestima dos trabalhadores, que agora sabiam que podiam chegar lá, da mesma forma como a vitória de Obama trouxe enorme esperança para muitos negros jovens, que agora tinham a prova de que alcançar o topo era possível, a vitória de Dilma representará um enorme salto para a autoestima, as possibilidades, as aspirações de milhões de mulheres e, especialmente, de crianças e adolescentes do sexo feminino.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Os brancos da UFRGS



Um artigo que vale a pena ser lido: Manifesto dos brancos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Resolvi copiar e colar o texto abaixo, só por garantia.



Este texto é um manifesto escrito e subscrito por brancos que compõem a comunidade escolar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele é uma retumbante admissão pública, por nossa parte, de que vivemos em um contexto de exclusão estrutural de negros e indígenas dos benefícios e espaços de cidadania produzidos por nossa sociedade e onde, ao mesmo tempo, é produzida uma teia de privilégios a nós brancos, que torna completamente desigual e desumana nossa convivência. Somos opressores, exploradores e privilegiados mesmo quando não queremos ser. O racismo não é um "problema dos negros", mas também dos brancos. É pelo reconhecimento destes privilégios que marcam toda nossa existência, mesmo que nós brancos não os enxerguemos cotidianamente, que exigimos a imediata aprovação de Ações afirmativas de Reparação às populações negras e indígenas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
No Brasil vivemos em um estado de racismo estrutural. Já é comprovado que raça é um conceito biologicamente inadmissível, só existe raça humana e pronto. Mas socialmente, nos vemos e construímos nossa realidade diária em cima de concepções raciais. Portanto, raça é uma realidade sociológica. Não é uma questão de que eu ou você sejamos pessoalmente preconceituosos. Mas é só olhar para qualquer pesquisa que veremos como existe um processo de atração e exclusão de pessoas para estes ou aqueles espaços sociais, dependendo de sua cor. Não é à toa que não temos quase médicos negros, embora eles sejam a maioria nas filas dos postos de saúde; que quase não vemos jornalistas negros, mas estes são expostos diariamente em páginas policiais; que não temos quase professores negros, especialmente em posições com melhores salários, e vemos alunos negros apenas em escolas públicas enquanto, na universidade pública quase só encontramos brancos.
A situação dos indígenas não é diferente, quando eles ainda sofrem lutando pelo direito mínimo de ter suas terras e aldeias, mesmo isso lhes é surrupiado pelos brancos. Vamos parar com esta falácia de dizer que não aceitamos cotas raciais na universidade, porque não queremos ser racistas: se vivemos no Brasil, se fomos criados nesta cultura, se construímos nossas vidas dentro deste conjunto de relações onde a raça é um elemento determinante, somos todos racistas! Não fujamos da realidade. Não usemos a falsa desculpa de que não queremos criar divisões entre raças no Brasil. Nossa sociedade poderia ser mais dividida racialmente do que já é hoje?
O estudo de Marcelo Paixão intitulado "Racismo, pobreza e violência", compara o IDH dos brancos e dos negros dentro do Brasil. O IDH tenta medir a qualidade de vida das populações, combinando os três fatores que, por abranger, cada qual, uma imensa variedade de outros, seriam os essenciais para a medição: renda por habitante, escolaridade e expectativa de vida. Na última versão do IDH, de 2002, o Brasil ocupa o 73º lugar entre 173 países avaliados, mesmo possuindo todas as riquezas nacionais e sendo o 11º país mais desenvolvido economicamente no mundo. Porém, entre 1992 e 2001, enquanto em geral o número de pobres ficou 5 milhões menor, o dos pretos e pardos ficou 500 mil maior. [Consideram-se brancos 53,7% dos brasileiros; pretos ou pardos, 44,7%, que chamaremos, hora em diante de negros]. O estudo mostra que Brasil dos brancos seria, na média o 44º do mundo em matéria de desenvolvimento humano, ao passo que o Brasil dos negros estaria no 104º lugar!!!
Nada disso é novidade, porém, para quem aceita viver com os olhos minimamente abertos. Temos que reconhecer que vivemos num sistema estruturalmente racista, que se reproduz em cima de mecanismos constantes de exclusão e exploração dos negros e de privilégios naturalizados aos brancos. Em um sistema racista, pessoas brancas se beneficiam do racismo, mesmo que não tenham intenções de serem racistas. Nós brancos não precisamos enxergar o racismo estrutural porque não sofremos diariamente diversos processos de exclusão e tratamento negativamente diferencial por causa de nossa raça. Nossa raça (e seus privilégios) são tornados invisíveis dia-a-dia. Este sistema de privilégios invisíveis a nós brancos é que nos põe em vantagens a todo instante, por toda nossa vida, em todas as situações, e que destroça qualquer tentativa de pensarmos que estamos onde estamos apenas por méritos pessoais. Que mérito puro pode ter qualquer branco de estar no lugar confortável em que se encontra hoje, mesmo que tenha saído da pobreza, dentro de um sistema que lhe privilegiou apenas por ser branco, ao mesmo tempo em que prejudicou outros tantos apenas por serem negros?
Vamos apresentar uma breve listinha de circunstâncias em nossas vidas que expõem nossos privilégios de brancos e que, embora não percebêssemos, embora os víssemos apenas como relações naturais para nós, por sermos pessoas normais e "de bem", foram decisivas para nos trazer onde estamos (e por não serem vivenciados também por negros e indígenas, seu resultado é fazer com que seja tão desproporcional o número destas populações dentro da UFRGS, por exemplo): 1) Sempre pude estar seguro de que a cor da minha pele não faria as pessoas me tratarem diferentemente na escola, no ônibus, nas lojas, etc; 2) Estou seguro de que a cor da pele dos meus pais nunca os prejudicou em termos das busca ou da manutenção de um emprego; 3) Estou seguro de que a cor da pele dos meus pais nunca fez com que seu salário fosse mais baixo que o de outra pessoa cumprindo sua mesma função; 4) Posso ligar a televisão e ver pessoas de minha raça em grande número e muitas em posições sociais confortáveis e que me dão perspectivas para o futuro; 5) Na escola, aprendi diversas coisas inventadas, descobertas, grandes heróis e grandes obras feitas por pessoas da minha raça; 6) A maior parte do tempo, na escola, estudei sobre a história dos meus antepassados e, por saber de onde eu vim, tenho mais segurança de quem sou e pra onde posso ir; 7) Nunca precisei ouvir que no meu estado não existiam pessoas da minha raça; 8) Nunca tive medo de ser abordado por um policial motivado especialmente pela cor da minha pele; 9) Já fiz coisas erradas e mesmo ilegais por necessidade, e nunca tive medo que minha raça fosse um elemento que reforçasse minha possível condenação; 10) Posso ir numa livraria e perder a conta de quantos escritores de minha raça posso encontrar, retratando minha realidade, assim como em qualquer loja e encontrar diversos produtos que respeitam minha cultura; 11) Nunca sofri com brincadeiras ofensivas por causa de minha raça; 12) Meus pais nunca precisaram me atender para aliviar meu sofrimento por este tipo de "brincadeira"; 13) Sempre tive professores da minha raça; 14) Nunca me senti minoria em termos da minha raça, em nenhuma situação; 15) Todas as pessoas bem sucedidas que eu conheci até hoje eram da mesma raça que eu; 16) Posso falar com a boca cheia e ficar tranqüilo de que ninguém relacionará isso com minha raça; 17) Posso fazer o que eu quiser, errar o quanto quiser, falar o que eu quiser, sem que ninguém ligue isso a minha raça; 18) Nunca, em alguma conversa em grupo, fui forçado a falar em nome de minha raça, carregando nas costas o peso de representar 45% da população brasileira; 19) Sempre pude abrir revistas e jornais, desde minha infância, e estar seguro de ver muitas pessoas parecidas comigo; 20) Sempre estive seguro de que a cor da minha pele não seria um elemento prejudicial a mim em nenhuma entrevista para emprego ou estágio; 21) Se eu declarar que "o que está em jogo é uma questão racial" não serei acusado de estar tentando defender meu interesse pessoal; 22) Se eu precisar de algum tratamento medico tenho convicção de que a cor da minha pele não fará com que meu tratamento sofra dificuldades; 23) Posso fazer minhas atividades seguro de que não experienciarei sentimentos de rejeição a minha raça.
Esta realidade destroça meu mito pessoal de meritocracia. Minha vida não foi o que eu sozinho fiz dela. Muitas portas me foram abertas baseadas na minha raça, assim como fechadas a outras pessoas. A opção de falar ou não em privilégios dos brancos já é um privilegio de brancos. Se o racismo, e os privilégios dos brancos são estruturais, as ações contra o racismo devem ser também estruturais. Racismo não é preconceito: racismo é preconceito mais poder. Se não forçarmos mudanças nas relações e posições de poder em nossa sociedade, estaremos reproduzindo o racismo que recebemos. E agora chegou a hora de a universidade dizer publicamente: vai ou não vai "cortar na própria pele" o racismo que até hoje ajudou a reproduzir, estabelecendo imediatamente Cotas no seu próximo vestibular? Se mantivermos o vestibular "cego às desigualdades raciais" estaremos, na verdade, mantendo nossos olhos fechados para as desigualdades raciais que nós mesmos ajudamos a reproduzir sociedade afora.
Nós, brancos da universidade que assinamos esta carta já nos posicionamos: exigimos cortar em nossa própria pele os privilégios que até hoje nos sustentaram. Cotas na UFRGS já!

quinta-feira, setembro 23, 2010

Querido diario, eu pequei.



Eu juro que eu nunca mais na minha vida inteirinha eu vou comer um monte de cookies gostosos, fresquinhos e cheios de chocolate.
Eu juro! Oh, Oh, tah jurado!

sexta-feira, setembro 17, 2010

Eu amo o Colbert!


The Colbert ReportMon - Thurs 11:30pm / 10:30c
March to Keep Fear Alive
www.colbertnation.com
Colbert Report Full Episodes2010 ElectionFox News



Filha da UFRGS


Tem coisas... que só o RU faz pra você!


Das descobertas

Manga tem caroço!!!

Pois, outro dia comi manga e, adivinha, eu gostei!
Acho que agora sou uma comedora de manga.
É importante adicionar que a manga que comi não tinha cheiro de manga, o que ajudou muito. Cheiro de manga dá-me náuseas.

sábado, setembro 04, 2010

sexta-feira, setembro 03, 2010

Maresia


Nossa, nem dá para acreditar que o verão terminou. Digo, que as férias de verão terminaram. Correria pura. Verão intenso. Tanta coisa aconteceu. E nem atualizei o blog de todos os acontecimentos. Mea culpa.

Mas entre mortos e feridos, salvaram-se todos! O semestre acadêmico recomeça e também uma nova fase na minha vidinha mais ou menos.

Às vezes eu páro, olho, assim, de uma certa distância, e penso: vidinha boa esta minha, né?

segunda-feira, agosto 16, 2010

Fat lady



PQP, ninguém merece uma cantora de ópera no quarto ao lado. Sim, a menina pra quem a minha colega de casa (ilegalmente) sub-locou o quarto dela desta vez é cantora de ópera.

Um pouquinho é até bacana ouvir, mas esta mina cantando um montão, acaba com a paciência de qualquer vivente. Oh-oh-ohhhh de c...

Tá na hora de acabar já, ô, fat lady.


sábado, agosto 14, 2010

Só no paparico



Não há coisa melhor no mundo do que ter amigas casadas que também moram no exterior. Elas me dão casa, comida, comida, comida, comida e um monte de paparico.

Desculpaí se eu sou estudante pé rapada e não posso retribuir tá!

Deus lhe pague e lhe dê em dobro, tia!

quarta-feira, agosto 11, 2010

Só na loló


Meu apezinho passou por uma geral: pintaram as áreas comuns (ou seja, meu quarto continua com a pintura que é uma tristeza) e enceraram o chão.

Quando pintaram eu estava viajando (depois eu conto dos dias que me abanquei na casa da Ana e do Bruno) então nem peguei o stress de pintores e afins. Mas o lance do cerol na mão, digo, da cera no chão foi hoje. É assim ó... o carinha passou a cera, deixou secar por meia hora, depois passou outra demão e mais quase uma hora secando. Não precisa polir nem nada. O chão fica lindo, brilhando. É como se passagem verniz no chão. Mas o cheiro... puta que pariu. Tô praticamente chapada. Mas que o apê ficou lindinho, ficou.

Esta noite vou dormir mais pra lá do que pra cá.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Bebezinho


O maldade, esqueci de atualizar. Agora que recebi um comentario do Martin lembrei que tinha que contar que o bebe jah foi resgatado e encontra-se no momento na estrada. Estamos indo para Massachusetts, visitar a Ana e o Bruno. Claro, usando wi-fi do busum.
O bebe estah bem e manda saudacoes.

AKA não f... nem sai de cima!


Se
Djavan

Você disse que não sabe se não
Mas também não tem certeza que sim
Quer saber?
Quando é assim
Deixa vir do coração

Você sabe que eu só penso em você
Você diz que vive pensando em mim
Pode ser
Se é assim
Você tem que largar a mão do não
Soltar essa louca, arder de paixão
Não há como doer pra decidir
Só dizer sim ou não
Mas você adora um se...

Eu levo a sério, mas você disfarça
Você me diz à beça e eu nessa de horror
E me remete ao frio que vem lá do sul
Insiste em zero a zero e eu quero um a um
Sei lá o que te dá que não quer meu calor
São jorge por favor me empresta o dragão
Mais fácil aprender japonês em braile
Do que você decidir se dá ou não

segunda-feira, agosto 02, 2010

Mantido em cativeiro.



Bah minha colega de quarto tá ficando meio folgada. Outro dia o computador dela deu pau. Fiquei com dó da menina. Ela ia viajar na semana seguinte e tal (ia viajar na terça da semana passada, o computador deu pau no domingo passado). Ofereci meu pequeno computador se ela precisasse.

No fim ela cancelou a viagem, porque não conseguiu visto. Tá, tudo bem.

Daí pediu meu computador. E tá usando. Direto!

Mas assim... o problema do computador dela é que precisa reinstalar o sistema operacional. Só isso. Se ela não vai viajar, poderia fazer isso né. Daí eu disse, ah, mas teu computador é só instalar o negócio, por que tu não instala? Daí ela, ah, que tá com preguiça... que vai fazer isso depois. Que nem precisa tanto do computador, usa mais pra diversão (praticamente é só pra Facebook e ver vídeos).

Tipo, eu não tenho absolutamente nada contra, e não tô nem aí pro que ela faz ou deixa de fazer no computador... DELA! Porra, se não precisa do computador, então não usa o meu, ora! Pegou meu computador e não largou mais. Nunca mais devolveu.

Quero resgatar o meu bebê do quarto dela!!! :(

domingo, agosto 01, 2010

Filminhos e mais filminhos.


AFRICAN PRESENCE IN BRAZILIAN CINEMA
Film Series
JULY 30 - AUGUST 1, 2010

As part of its ongoing ADFF Spring and Summer Film Series at Teachers College, Columbia University, ArtMattan Films presents the “African Presence in Brazilian Cinema" Film Series.

In 2003, ArtMattan Films put together a series entitled "Cinema Favela: Celebrating The African Presence in Brazilian Cinema" at Anthology Film Archives. That program marked a rare moment in the history of Brazilian cinema in the US. In 2009, in the context of FESPACO 2009- Pan-African Film and Television Festival in Ouagadougou, Burkina Faso - a group of Afro-Brazilians filmmakers presented the First African Showcase of Afro-Brazilian Filmmakers in Africa that was an important moment in the history of the festival.

The Afro-Latinos are still fighting for recognition of the unique contribution they made to the Latino identity and the world. Brazil is the Latin American country with the largest population of African descendents out of Africa. However, Afro-Brazilian themes in Brazilian cinema are limited, and the participation of Afro-Brazilians in the film industry is rather small.

Afro-Latinos, in general, are not easily found behind a camera. However, filmmakers of different origins have worked on the theme of the Afro-Latino experience in general and the Afro-Brazilian experience in particular. The names of Tomas Guttierrez Alea from Cuba, Leonardo Ricagni from Uruguay, Paulo Betti from Brazil and Nelson Pereira dos Santos from Brazil come to mind.

We are bringing to you a selection of films that celebrate the African presence in Brazilian cinema with a combination of some of the films showcased in FESPACO, some of those screened in the 2003 series, and some new titles that have come out in the past few years.


PROGRAM AT A GLANCE

FRIDAY, JULY 30, 2010 - CINE-CLUB - FREE PROGRAM

6:00PM NATAL DA PORTELA - fui



SATURDAY, JULY 31 , 2010

1:00PM ABOLICAO - não fui

4:00PM DAUGTERS OF THE WIND -  fui

7:00PM AFRO-BRAZILIAN SHORTS - fui



SUNDAY, AUGUST 1, 2010

1:00PM ALEIJADINHO: PASSION, GLORY AND TORMENT - ir ou não ir, eis a questão???

3:00PM THE GLOBAL WORLD SEEN FROM OVER HERE: A CONVERSATION WITH MILTON SANTOS - quero ir, mas e a preguiça?

5:00PM MARIA BETHANIA, MUSIC IS PERFUME - vi ano passado. Delicinha de vídeo. E me faz pensar na Luzia.

terça-feira, julho 27, 2010

Brinquedinhos novos!



Outro dia comprei um monte de xícaras (depois eu conto a história, foi na abertura da copa). Depois comprei esta 'leiteirinha' pra deixar o leite cremosinho. A leiteira é cheia de frescura, cheia das ciência (sic).

Aí, outro dia comprei mais uns brinquedinhos, um kit com termômetro, dois copinhos fofos e uma colher para o café e para o leite, acopladas. Na mesma compra adquiri outra leiteirinha, maior, para fazer uns lattes bem lattes. Com a leiteira pequena rola apenas cappuccino. (tá ligada nas proporções de leite/café que diferenciam latte e cappuccino, né? ahahah)



Hoje chegaram meus outros brinquedinhos: um moedor manual, um tamper (que não sei o nome disso em português), uma knock box (que tampouco sei o nome em PT) e uma escovinha para limpar o moedor.

Estou louca para que amanheça e eu possa usar os café que mamãe mandou, lá do Café do Mercado. Os grãos estavam no freezer, no super chique ultra pote qur comprei, desenvolvido especificamente para guardar café. Outro brinquedo cheio das ciênça (sic).




Rainha





Uma das meninas aqui resolveu viajar e sub-locar o quarto. Não, não se pode sub-locar o quarto. Não, ela não sub-locou para alguma conhecida, ao contrário. Enfim, veio uma mocinha e ficou aqui por um mês. E a minha colega ainda me colocou numa saia justa. Nós podemos receber visitas por até 15 dias no mês. Para entrar no prédio, pegar elevador, respirar, precisamos de carteira de identificação e, no caso de visitantes, podemos pegar um cartão de visitante. O lance é que o passe é válido por, no máximo, 15 dias. Então a moçoila preencheu uma fichinha com meu nome e tudo e pediu pra eu assinar. Pediu-me como um favor, que eu não tinha como recusar, né?

Sei que a guria ficou aqui um mês, não fedia nem cheirava (tampouco falava). Produzia um monte de lixo, mas não tirava. Enfim, num dos dias, eu acordo pela manhã, vou até o banheiro, abro a porta, e me deparo com a mina sentada no trono. As duas levaram um susto. Pedi desculpas enquanto fechava a porta rapidamente. Não sei o que deu na cabeça da mocinha pra não trancar a porta (que fica usualmente fechada, então não dá para saber se tem alguém ali ou não).

Tirar lixo de gente folgada, ter uma "estranha" na nossa "casa", tudo bem. Mas ver a mina ***ando, ninguém merece!

Pausa!


Ufa, depois vou contar da minha aventura ecuatoriana! Mas jah fico feliz de ter conseguido “atualizar o blog”, ainda que offline, sobre minhas andancas no Peru.

Ainda estou no busum, mas minha bateria jah vai acabar e agora tenho soh uma hora de viagem, entao vou fazer um lanchinho e dormir um pouco, emulando as outras tres meninas a volta da minha mesinha (sim, subiu uma terceira menina, no meio do caminho). Sim, a espacosa continua com o computador cor-de-rosa aberto na mesinha, e sem usa-lo. Tem gente que nao tem nocao, neh!

quarta-feira, julho 21, 2010

Redescobrindo Lima

From Peru - Dia 9 - 05 jun 2010 - Lima

No centro de Lima fomos ateh o Museu da Literatura Peruana que fica num predio fantastico, onde era a antiga estacao central de trem da cidade. O museu estah o maximo e foi inaugurado em 2009. Foi espantoso ver tanta gente no museu, gente de todas as idades, e que pareciam nativos, num sabado a notie. Alias, o centro todo estava tomado de peruanos passeando, o que me causou surpresa. Acontece que no centro fica a casa do governador, entao o policiamento lah eh impressionante e torna-se uma parte bem segura da capital. Mas uma coisa que eh interessante eh que estes foram os policiais mais fofos que jah vi na vida. Abaixo, uma prova:

From Peru - Dia 9 - 05 jun 2010 - Lima

Depois disso fomos olhar artesanatos e acabamos numa feira gastronomica bem popular que foi excepcional e provamos varias comidinhas peruanas. Nossa noite teve direito a show do Rick Martin peruano (que era, na verdade, um cover do Michael Jackson! Sim, eu sei).

From Peru - Dia 9 - 05 jun 2010 - Lima

Andamos e andamos pelo centro depois pegamos um taxi e fiquei no meu albergue, Nati e Dani foram pra casa de uma amiga, onde estavam hospedados, ha algumas quadras de onde eu estava. Eu jah mencionei algo sobre mundo gema, neh?

Quando cheguei no albergue a Lianna estava lah, entao desci com ela para pegar algo pra ela comer, depois voltamos para o albergue, tomei banhinho e fui dormir um soninho tri bom, de quem estava mais do que morta.

Na manha seguinte pegamos um taxi (30 soles) para o aeroporto e assim encerramos nossa aventura peruana. Amei amei amei!!!

De volta a Lima: encontros e desencontros



From Peru - Dia 9 - 05 jun 2010 - Lima


No dia 5 de junho fui com a Lianna para o aeroporto. Antes passamos na padaria perto da casa do Amit para tomarmos cafeh da manha, e ele foi junto. Descobri que cacetinho (pao frances) se chama carioca no Peru. Comi um carioca bem gostosinho, com queijo e presunto. Alias, dois cariocas. E tomei um suco de laranja com mamao. Encerrando deliciosamente minha aventura cusquenha.

Pegamos um taxi para o aeroporto e desembarcamos na capital peruana. Em Lima estava determinada a pegar um onibus e foi o que fiz. Eu me amo. Por apenas 2 soles (e nao 45) cheguei em Miraflores, onde fui a cata de um albergue. Ficamos no Flying dog, onde pagamos 23 soles pela noite, e ficariamos apenas uma noite, mesmo. Deixei minhas coisinhas, coloquei num armario, fechei meu cadeadinho e fui buendear pela cidade.



From Peru - Dia 9 - 05 jun 2010 - Lima

Ainda bem que eu tinha explorado bastante o bairro, a pe, anteriormente, entao foi facinho descer do onibus e depois me virar por Miraflores. Fui na parte que nao havia ido quando da minha primeira passagem na cidade. Entao, a beira do Pacifico, fui no shopping center gigante e supostamente chique. Chique para padros novos-ricos-sulamericanos, neh? Coisa mais de mal gosto eh impossivel. Eh como um... putz, qual o nome daquela tentativa de shopping, super de mal gosto, em Salvador. Enfim, eh um monstro a beira da praia. Tem de tudo. Eu estava abismada com o lugar, andando pra lah e pra cah, quando, de repente, nao mais que de repente, vejo o casal luso-andorrenho mais fofo que conheco: minha colega Fulbrighter Natali e seu marido Daniel.

Acabamos passando o restante do dia juntos e nos divertimos horrores. Andamos por Miraflores, fomos ateh o parque amor e depois pegamos um taxi ateh o centro de Lima. Pegamos um taxista fantastico, que conversou horrooooores com a gente e foi a coisa mais amor.

terça-feira, julho 20, 2010

Bye, bye Cusco!

From Cusco - Dia 7 - 04mai2010 - Bye Cusco


Dia 4 Junho era praticamente meu ultimo dia em Cusco, entao acorde tranquilex, fui andar pela cidade, comprar as ultimas coisinhas, voltei no mercado central para mais uma salada de fruta, caminhei, caminhei, fotinhos, papeei, e fui para uma sessao de massagem: a 20 soles! Uma hora de massagem por 13 reais, era o que meu corpo, e bolso, precisavam. A massagem era meia boa, um monte de oleo, mas enfim, eh bom ficar deitadinha por uma hora com alguem te apertando toda.

Finalmente tirei algum algum dinheiro, jah que nao tinha nem um puto tostao. E estava com aquele sentimento de “ah, eh o ultimo dia, estou em ferias, aziras (gauches para “azar”)”.

Machu Picchu!!!


From Cusco - Dia 6 - 3jun2010 - Machu Picchu


Acordei as 4 da manha, fui no cafe ao lado do correio, e comprei um cafe que estava tri bom, comprei um chocolatim e paguei pra entrar na internet no tal cafe. Paguei com cartao de credito e me cobraram 10% por pagar com cartao. Mas paguei pra usar a internet somente para alertar minhas companheiras de viagem que estariam pegando o bus pra Aguas Calientes naquela manha, entao eu queria dizer como a cidade funcionava e dar a dica de onde dormi.

Fui para a parada do busum porque queria pegar o primeiro bus, as 5h30, e ver o sol nascer na cidade perdida dos incas. Cheguei lah e tinha uma fila do cao. Peguei o oitavo onibus e vi o sol nascer no busum mesmo. Como o onibus era muito caro, no dia anterior eu comprei apenas a ida e decidi que desceria de Machu Picchu a peh, porque achei uma roubalheira cohbrarem 20 soles para para a passagem do bus que leva uns 15 ou 20 min pra fazer o trajeto (que leva duas horas a peh). Como pra baixo todo santo ajuda, eu paguei pra subir, neh meu bem.

Cheguei em Machu Picchu e cada centavo de roubalheira em Aguas Calientes foi recompensado. O lugar eh fantastico, maravilhoso, espetacular e nao ha palavras para descrever a geniosidade – e engenhosidade – do povo inca. Jah que nao dah pra descrever mesmo, nao vou ficar aqui enrolando e tentando encher de adjetivos minha experiencia em Machu Picchu.. Foi otimo e isso eh tudo.



From Cusco - Dia 6 - 3jun2010 - Machu Picchu


Andei, andei, andei. Fiz fotos ateh dizer chega. E acabei ateh fazendo uma companheirinha de caminhada para a volta. Sim, eh bom ficar sozinha. Mas sim, tambem eh bom encontrar companhia. Minha companheira foi a Sylvia, uma alema de 50 e poucos anos que estava viajando sozinha – e estarah em Nova York em breve!

Quando chegamos de volta em Aguas Calientes nos despedimos e fui sentar na praca. Eu sabia que se ficasse por ali tempo suficiente eu acabaria encontrando a Kristin, Emma e cia. Dito e feito, uns 10 minutos ali e ouvi a caracteristica voz da Kristin. Entao fomos todos almocar/jantar. Como agora eu jah estava safa com o comercio local, fomos num restaurante e perguntamos TUDO antes. Cobra a mais pra usar cartao de credito? Cobra impostos extras (-sim, de 20%, - um bla bla bla e: mas fazemos um desconto e vamos cobrar de voces soh 10%). Ao inves dos precos no cardapio, ganhamos desconto de qualquer prato ateh 40 soles por 20 soles. Alem disso ganhamos um pisco sour cada um. Ok, decidimos ficar ali. Comemos e a refeicao estava divina.



From Cusco - Dia 6 - 3jun2010 - Machu Picchu


Foi lah que experimentei a carne de alpaca. Meu blusaozinho de alpaca acompanhou a janta. O pisco sour estava tri bom tambem. Depois fomos para o cafeh, tomei um cafezinho tri bom e compartimos sorvete, brownie e torta de chocolate. Cobraram-me 1 dolar por usar o cartao – nao sei que fim levou a regra dos 10%! Entre mortos e feridos, salvaram-se todos em Aguas Calientes e meu coracaozinho ateh ficou cheio de ternura.

Voltei para Cusco numa viagem mega cansativa. Cheguei na estacao de trem e os taxistas filhos da puta queriam me cobrar 11... 8... soles pra me levar pra casa. Cara de pau da porra! Custa 2 ou 3 soles o taxi! Fiquei puta e fui A PEH pra casa. Va se catar! Primeiro porque eu sabia onde estava e quao longe eu estava. Segundo que eu nao tenho medo do escuro (era quase meia noite). Terceiro que pra quem jah tinha andando ateh morrer o dia inteiro, uma mortezinha a mais uma a menos nao faria tanta diferenca.

Indiada


From Cusco - Dia 5 - 02jun2010 - Ida Aguas Calientes


Cheguei em Aguas Calientes por volta da 1 da tarde e fui catar um lugar pra passar a noite. A cidade eh um cuzinho cheio de pousadas, hoteis, restaurantes e uma populacao que lah vive e disso vive. O lugar lembrou-me muito Morro de Sao Paulo, guardada as proporcoes.

Depois de alguma peregrinacao acabei ficando numa hospedagem ao lado dos correios da cidade. Por 20 soles (uns 13 reais) eu consegui uma cama grande soh pra mim, um banheiro soooooh pra mim, toalha, papel higienico e sabonete. Sim, soh pra mim. Acabei deitando na cama, soh pra experimentar e cai no sono. Depois acordei e fui “explorar” a cidade. Andei pra lah e pra cah, vi uma piazada jogando futebol, tirei umas fotinhos, interagi com um ou outro nativo e depois fui tomar um cafe. Ai comecou meu odio pela cidade. Entao o cafe era 5 soles. Ok. O cafeh era ruim, ruim, ruuuuuuim que eu nao consegui tomar. Fui pagar: 7 soles. Como assim? Ai, tem 1 de imposto e 1 pro nosso salario. Filhos-da-puta-ladroes-mercenarios-enganadores-de-turistas. Andei, andei, andei pra aliviar meu odio. Depois fui jantar. Ok, depois de conversar e conversar pra ter certeza da negociacao do prato, aceito um frango por 8 soles. Vou pagar e o carinha me diz: nao, sao 14. Hein? Nem preciso dizer que odiei-muito-tudo-isso, neh?

Como estava com muito odio no meu coracaozinho eu desisti de explorar a cidade e resolvi pagar e entrar na internet. Lenta. Muito lenta. Nao, tipo, MUITO lenta. Fui pro meu quartim dormir e esperar por Machu Picchu. Essa porcaria tinha valer muito a pena.

quinta-feira, julho 01, 2010

Gema, gema, gema



From Cusco - Dia 5 - 02jun2010 - Ida Aguas Calientes


Falando em Machu Picchu... no dia seguinte, 2 de abril, eu parti na minha jornada solita para a cidade perdida dos incas. Nao fui com a galera para Machu Picchu, ao contrario, peguei meu onibus sozinha, o trem e todo o resto. Foi no exato momento da viagem porque eu jah estava precisando ficar sozinha. Quem jah viajou comigo sabe, eu PRECISO ficar sozinha por um tempinho durante qualquer viagem, por melhor que seja a companhia. Alem disso, penso que Machu Picchu seja algo para ser feito ou com uma companhia de viagem muito parceira ou entao algo para se fazer mesmo a sos, no seu ritmo proprio, aproveitando para pensar na morte da bezerra e essas coisas todas.

Peguei o bus que eh parte do ticket do trem em Cusco. Eh um bus porque houve uma serie de deslizamentos na regiao ha algum tempo, entao nao ha trem entre Cusco e Ollantaytambo por enquanto, mas a viagem deveria ser toda em trem.

No onibus conheci um casal, as primeiras pessoas negras que vi em Cusco. Eles eram de Nova York, do Harlem. Puta que pariu, neh, eu saio de NYC para encontrar meus vizinhos no Peru! Mundo pequeno do caramba!

Ai depois, em Ollantaytambo – na verdade eh um pouco depois de Ollantaytambo, na tal da hidreletrica – descemos todos na estacao de trem onde ha um local de espera para pegarmos o tem. Quando o trem chegou fui para o vagao qur tinha minha letrinha. Dai uma mocinha falou na fila que eu estava na fila errada, eu e a outra menina atras de mim. Ok, mudamo-nos para a fila correta. Enquanto caminhavamos para a dita fila, batemos um papinho e, pra minha surpresa, a guria morava em Morningside Heights! Esse eh o nome chique para Harlem. Eu facilito a vida e digo que moro no Harlem, por motivos politicos e etcetera, mas o nome “tecnico” de onde moro eh Morningside Heigths.

(parenteses: Morningside Heights eh a parte do Harlem onde fica a Columbia University, uma Ivy League da vida. Ivy League eh chamado o grupo das 7 melhores universidades da costa leste dos Estados Unidos; sao universidades particulares, tradicionalmente top top e super caras. Eu estudo na Columbia. Entao para nao se dizer no Harlem, o bairro mais negro dos Estados Unidos, e que historicamente era muitissimo pobre, a parte da Columbia e arredores fica no Morningside Heights. Fecha parenteses)

Mas entao, vai dizer que nao eh um mundo ovo!!!







De Cusco - Dia 5 - 02jun2010 - Ida Aguas Calientes


Peguei meu trenzinho, o New Backpacker. Tem o Backpacker, o New Backpacker (que eh o mesmo preco do anterior, e sao os mais baratos, 50 dolares-olhos-da-cara o trecho Cusco-Aguas Calientes), o Vista Dome, que eh chique, e o Hiram Brigham (ou algo assim), que eh o trem puta chique e caro, que leva o nome do estadunidense que “descobriu” Machu Picchu (tipo, descobriu porque pagou 1 sole prum nativo que dizia que existia um monte de ruinas no meio da selva; dai o pesquisador pagou a grana, o nativo mostrou as ruinas, o Hiram ficou famoso, todo mundo comecou a explorar Machu Picchu e era isso).

Sentei no trenzinho e tinha uma mesinha e na minha frente um casal dos Estados Unidos. Batemos papinho e tal e depois de muitcho muitcho papo, descobrimos que a filha deles vai agora estudar na Columbia, comeca este semestre. Nao contente com o mundo-ovisse, o universo coloca a filha do casal estudando nao soh na mesma universidade como na mesma faculdade, ela vai pro Teachers College. Como Deus eh um cara gozador e adora brincadeira, bora colocar a menina morando no mesmo predio que eu, uma andar acima. Vai ser mundo gema na PQP!

Causa rellena



De Cusco - Dia 4 - 01jun2010 - Chilling


Dia 1o de junho eu usei para fazer nada. Andei pela cidade o dia inteiro e me cansei bastante. Neste dia, tambem, chegaram a cidade outros amigos couchsurfers: Dileep, Frank e Chris, eles estavam em Arequipa, outra cidade no Peru, e jah estavam nas estadas sulamericanas ha algumas semanas.

A noite saimos para jantar e fui com a Emma, o Mike e a Marie-Line num restaurante chamado Tabasco, que tinha precos bem razoaveis e uma comida muito gostosa. Experimentei uma causa rellena, meu primeiro pisco sour e comi uma saladinha, pra desintoxicar dos carboidratos da Maria Luiza.


De Cusco - dia 3 - 31maio2010 - Ollantaytambo

Depois da janta nos encontramos com os outros, que haviam se separado para comer em diferentes locais, e fomos todos para um bar onde tomei mais pisco sours...

Eu acho que essa foi a ordem das coisas, tenho um pouco de duvidas se a janta foi no dia 31 ou 1o, mas isso nao faz a menor diferenca, neh? Faziamos tanta coisa todos os dias que parece que um dia era feito de tres. Andei tanto tanto tanto... que voltei a Nova York com menos quatro quilos. Preciso ir a Machu Picchu uma vez por mes ateh o final do ano, pelo menos!

Katemari e os nativos

De Peru - photos By others
Minha interacao com os nativos foi um caso a parte nesta viagem: eu e meu portunhol. Espetaculo (porque mi espanhol es fueda)! Nas minhas viagens ao exterior eu sempre agradeco por ser brasileira (ok, menos na hora da imigracao) porque nao tem lugar que eu tenha ido que as pessoas nao tenham me dito que gostam muito do Brasil ou do povo de lah. Eh bom saber que somos bem quistos. Pena que eu nao possa dizer o mesmo por ser gaucha, jah que nao somos dos estados mais adorados da nacao, tampouco somos, de maneira geral, as pessoas mais simpaticas. Mas dai eu posso passar um 171 e dizer que morei quatro anos na Bahia, soh pra amenizar (ou vice-versa, dizendo que morava na Bahia, ressalto: mas sou de Porto Alegre!).

No Peru, precisamente em Cusco e regiao, outro fator interessante foi o fato de eu ser negra. Nao ha negras ou negros, praticamente, no Vale Sagrado (nem ao norte do pais). A pouca populacao de origem africana no Peru estah no litoral sul. Entao eu era meio que uma atracao, todos me olhavam. Nao era um olhar ruim, nao senti como um olhar preconceituoso, mas um olhar curioso. A Maria Luiza, a cozinheira (se eu estiver usando seu nome corretamente), falou-me que eu fui a primeira pessoa negra com quem ela falou em toda sua vida! Ela disse que ateh jah tinha visto, de longe, mas nunca tinha “falado com uma”. Pode soar como bichinho raro, mas nao foi essa a sensacao que fiquei. Ela era uma fofa.

Uma vendedora numa loja em Cusco, com algum rodeio, perguntou se meu cabelo era de verdade, como era chamado e tal. Depois de ainda mais rodeio ela perguntou: posso tocar? Tah bom, pode... (mas deverias me der um desconto na minha compra, neh?)

As construcoes de Ollantaytambo

De Cusco - dia 3 - 31maio2010 - Ollantaytambo



No dia seguinte, 31 de maio, pegamos um busum e partimos para a cidade de Ollantaytambo. Sacolejamos bastante num onibus, por umas 3 horas, ateh uma cidade que nao lembro o nome agora, depois seguimos de taxi ateh Ollantaytambo. Ollanta eh uma cidade bem fofinha e tem o sitio arqueologico mais lindinho que vi, fora Machu Picchu, claro.

De Cusco partimos Kristin, Lianna, Emma, Mike e eu, mas na tal cidadezinha Liana, Emma e Mike pegaram um taxi e Kristin e eu queriamos ver quanto saia seguir a viagem de busum. O que acontece eh que os precos sao mais baratos, evidentemente, para locais (bus) do que para turistas (taxi) e o povo da ala 1 nao se importava muito de pagar mais, especialmente porque na hora da conversao para dolar, esses valores nao pareciam terriveis. A questa (sic) eh que eu nao estava viajando nos isteites, portanto nao queria pagar precos de isteites, ora bolas. Buenas, resultou que acabamos pegando um taxi, mas coletivo. Explico: no Peru chamam de coletivo taxis que levam pessoas “misturadas”, como se fosse uma lotacao (Porto Alegre), um executivo (Salvador). Entao a Kristin, eu, um outro menino que encontramos por lah e que era dos Estados Unidos e uma outra mulher (nativa) que levou a filhinha no colo, fomos num taxi por 2 soles cada.

A Kristin e eu fizemos todas as trilhas do sitio de Ollantaytambo, foi massa, foi tri, foi maneiro! A cidade eh a coisa mais fofa, super bonitinha e se eu soubesse teria ido pra lah de onibus e ficado uma noite num albergue por lah, antes de seguir para Machu Picchu, jah que teria que voltar ateh Ollanta para ir a Machu Picchu.

Na volta, pegamos um taxi, tambem coletivo, e depois um onibus. A viagem de onbus, na volta, foi uma aventura. Sentei-me ao lado de um menino que estava mais pra lah do que pra ca. Ele subira no busum com seus amigos musicos, eles estavam vindo de uns shows que fizeram, e iriam fazer mais shows ao longo da semana. O menino ficou de papo, de papo e eu dei corda. No fim ele era super super gente boa, coisa mais querida, um estudante de agro-engenharia que toca num grupo musical nas ferias para fazer dinheiro e se sustentar na faculdade, alem de tentar fazer dinheiro para ajudar sua irma mais nova. O objetivo dele, na vida, eh poder dar para a irma tudo o que ele nao teve. Primogenito de uma familia de apenas dois filhos, esta morando longe dos pais, por causa da universidade, e sua mae nao gosta que ele beba. Reclamou que eh dificil ter amigos de verdade, que os amigos soh estao junto para festa, mas nos momentos dificeis desaparecem. Ensaiou umas palavras em portugues e disse gostar da musica Brasileira.

Na volta de Ollantaytambo resolvi ir a pe da parada de onibus em Cusco ateh a casa do Amit. Incomoda-me um pouco esta coisa de andar de taxi o tempo todo. Tudo bem que eh barato e que como sempre dividimos acaba saindo bem em conta (1 soles pra cada), mas mesmo assim, eu gosto de caminhar e ter uma boa nocao de onde estou, de ter uma melhor nocao da cidade em si e para isso o unico remedio eh caminhar. Entao tentei usar meu ateh-relativamente-bom senso de direcao, pedi ao motorista pra descer do busum a uma certa altura antes do fim da linha e pus-me a caminhar. A Kristin estava um pouco receosa, mas o povo estadunidense, pareceiro de viagem, com excessao do Amit, era todo receoso. Impressionante! Enfim, caminhamos e dai vi uma estacao de policia, entrei e pedi informacoes. O Beto (sente a intimidade) foi super querido e nos mostrou como chegar ateh em casa. Sim, estavamos perto de casa. Eu me amo. Alias, o Beto era um policial tri gatinho, se eu fosse meio metro menos alta ateh dava em cima dele.

A trilha Tambomachay


De Cusco - dia 2 - 30maio2010 - Tambomachay trail


No dia seguinte, 30 de abril, fomos fazer o tour de Tambomachay. Que incluia 3 dos 13 sitios arqueologicos do boleto turistico. Primeiro pegamos um onibus (2 soles) ateh Tambomachay, depois descemos a pe, ateh Cusco. Sao 8Km e no caminho paramos em Quencho e Sachsayaman (que ganha o apelido de Sexy Woman, pela pronunca de seu nome).

No inicio da nossa caminhada, na parte mais alta, tinham uns vendedores de artesanato e comprei meu blusaozinho de alpaca que me seguiria fiel durante toda a viagem. O senhor de quem comprei o blusao me deu um ramo grande de munha, uma planta local que, segundo ele, iria me ajudar a adaptacao com a altitude e a falta de ar. Isso porque quando passei pela sua barraquinha, na ida, eu estava naquele estado, morrendo-com-a-lingua-pra-fora. Entao peguei a munha e fiquei mascando. Na volta comprei o blusaozinho.

No caminho, durante a descida, paramos na estrada na casa de uma senhora que tinha varios porquinhos da india pelo chao e ateh uma ninhada (serah que se chama ninhada?). Sim, porquinho da india eh uma das iguarias peruanas. Eu queria tanto ter comido, mas nao comi. A senhoa essa levaria uma hora para matar, limpar e preparar os porquinhos, entao nao dava para a gente porque levaria muito tempo e ainda tinhamos a maior parte da caminhada pela frente.

Nao senti mais a tonterinha de quando sai do aviao no dia anterior, apenas a falta de ar. Mas agora soh sentia falta de ar quando subia em superficias inclinadas ou escadas, jah conseguia caminhas no plano, falar e nao morrer ao mesmo tempo. Durante este dia, alem da munha, fiquei mascando folhas de coca e tomando mate de coca. Coisa mais linda as fotos em que apareci, cheia de mato verde na boca. Outra coisa mais fofa e que estava com uma toquinha azul e um cardigazinho. A toquinha eh fofa. O cardiga eh fofo. Minha bermuda e meu top eram bem bonitinhos. Mas a combinacao desses quatro elementos formava o quadro da dor. Paciencia, o importante era ficar quentinha, quem liga para sair bem na foto.

Quando chegamos a Sachsaywaman observei um grupo de turistas, com uma guia. Aproximei-me. A guia falava em espanhol, entao colei no grupo e, digratis, fiquei pegando as informacoes sobre o lugar. Essa, alias, foi a estrategia que adotei ao longo da viagem nos demais lugares que iamos.

quarta-feira, junho 30, 2010

Um beijo no coracao



Arrrrrrrrrrrgh, odeio gente sem nocaaaaaaaao! Tem uma menina aqui na sala de computadores que ligou pra nao sei onde e colocaram a guria em espera, com musiquinha, dai a fofa colocou o celular em viva voz. E eu aqui, tentando estudar (e a esta hora!!!) tenho que ficar ouvindo musiquinha de espera de telefone! APA, neh?

Ninguem merece. Ninguem!

segunda-feira, junho 28, 2010

Voltando a Cusco...



De Cusco - dia 1 - 29mai2010


Andamos bastante pela cidade, digo, pelo centro; por suas ruelas e ladeiras, compramos a entrada para o santuario de Machu Picchu e o boleto turistico, um ticket que da direito a visita de 13 diferentes sitios arqueologicos na regiao do Vale Sagrado – estudante com carteirinha valida paga meia!!! Vale a pena, porque os tickets sao caros. Mas deixamos pra comprar o boleto turistico no dia seguinte, num dos proprios sitios arqueologicos, jah que essa opcao era possivel, e tambem porque nao tinhamos mais dinheiro – tudo tem que ser pago em especie!



De Peru - photos By others

Tiramos varias fotinhos no centro de Cusco e depois voltamos pra casa, onde a (qual o nome dela mesmo, putz, que feio!) cozinheira que “veio junto com o aluguel do apartamento (!)” nos espearia preparando a janta. Quase todos os dias em Cusco comemos jantinha preparada pela Maria Luiza (Ufa! Se eh que este eh seu nome, espero que sim). Entao na primeira noite a janta foi carboidrato com carboidrato: batata com arroz. Servi-me bem pouquinho porque nao estou acostumada a tal combinacao. Mesmo comendo bem pouco, ainda deixei parte da comida e tive refluxo e me senti um pouco mal.

*Na foto, suquinho de abacaxi que Maria Luiza preparou.

sábado, junho 26, 2010

Mulherzinha



Um projeto interessante que tem aqui na cidade é o Women's Project. Descobri o teatro quando passei pela frente uma vez, voltando do show do Colbert Report.

Ai, cheguei em casa, procurei pelo website e me cadastrei no mailing list delas. Quase um ano se passou a nunca ouvi falar das mulherzinhas, ateh que recebi um email pedindo para atualizar meus dados no website. Atualizei (com a mesma informacao, diga-se de passagem) e um dia depois recebi um email com ingresso gratis para assistir a peca Lascivious Something
.

O, beleza... fui com minha amiga Mandy e tivemos uma noite bem agradavel. Gostei da peca. Bastante. No final, passei numa lojinha de vinhos que tem lah pertinho e comprei um vinho verde por 5 pilas. Barbadex. Tenho que lembrar de passar por lah mais vezes. Adoro vinho verde no verao. Especialmente com umas frutas vermelhas na taca (copo sem cedilha).

Esta foi uma da serie teatro de graca em Nova York. Agora jah estou me sentindo em Porto Alegre. Sim, estou comparando teatro de camara com Broadway, por que, vai encarar?

terça-feira, junho 22, 2010

Porra, Joao!


Pobre soh se lasca, neh? Quando consegue comprar ingresso pra ver Joao Gilberto (chiquerrimo), no Carnegie Hall (chique do urtimo), o homi cancela. Isso foi olho gordo do Fabio, tenho certeza!

Ja viu esta historia de gente que vai viajar pros Estados Unidos e descobre que estava com o visto vencido?

Ah, Joao, Joao...

Reclamando da vida, pra variar



Agora estou no megabus novamente, mas voltando para Nova York, entao seguirei minha atualizacao do blog. Aproveito, contudo, para fazer uma pausa pra falar mal da vida alheia. Tem duas minas que correram pra sentar aqui onde tem mesinha, soh tem dois lugares do busum com mesinha, sao oito assentos no total e duas mesinhas, com uma dupla de assentos em cada lado de cada mesa. Dai as fofas correram pra sentar e plucar seus computadores e tirar seus computadores da bolsa. Eu jah estava sentadjinha aqui, porque era a primeira da fila do busum.

Ok, dai as tchutchucas aqui ficam tirando o espacinho pra eu esticar minhas pernocas e pra espraiar meu computadorzinho mas nem estao usando seus dispositivos eletronicos. Vacas. Pra que??? Uma pra exivir seu monstrengo Mac cor de rosa e a outra pra... sei lah, pra ouvir musica do seu celular/maquinafotografica/tocadordemusica. As duas estao de fone de ouvido e domrindo.

Entao por que nao foram sentar nas outras cadeirinhas? Nao! Soh pra me encher a paciencia. Claro que eh pessoal, ora. Na outra mesinha tem uma minha usando o computador um carinha dormindo e uma outra mina dormindo.

Este povo, viu!
Ai, ai...

segunda-feira, junho 21, 2010

Cusco e a altitude




De Peru - photos By others


Na manha seguinte, no dia 29, embarcamos todos para Cusco. A Kristin e eu pegamos um taxi de Miraflores ateh o aeroporto por 33 soles, chamando pelo numero 35555555 (seja lah quantos digitos tem os telefones em Lima, 3 e um monte de 5). O voo foi pela Peruvian Airlines, que havia feito 6 meses de aniversario cerca de um mes antes e em comemoracao realizou 3 dias de vendas promocionais. Com sorte, fiquei sabendo da promocao e comprei meu voo para Cusco por apenas 98 dolares, ida e volta, com taxas. Ainda no aeroporto de Lima comprei umas balinhas de coca, soh para o caso de sentir os efeitos da altitude. Ao fazer o check-in descobri que se paga uma taxa no aeroporto, pelo uso de suas facilidades, no valor de sei-la-eu-quantos soles – porque jah me esqueci. Fiquei puta, mas fazer o que!

O voo foi de uma hora e um pouquinho mas ganhamos comidinha e foi bem boa. Um lanchinho, mas bom. Ao chegar no aeroporto de Cusco eu jah comecei a sentir uma dorzinha de cabeca e um enjoozinho. Comi uma balinha. Psicologico ou nao, me senti melhor. Nos dias que se seguiram tomei mate de coca todos os dias, comi balinhas de coca, masque folhas de coca e de munha – uma planta local –, fiz tudo para aliviar os sintomas da altitude no organismo.

Chegamos em Cusco, pegamos um taxi e fomos pra casa do Amit. 5 soles pelo taxi. Uh, que alivio no bolso. Largamos nossas coisas e fomos dar uma volta no centro da cidade. Nossa primeira parada foi no mercado central de Cusco, onde fomos na barraca 64, a favorita do Amit, para uma salada de fruta com iogurte e outras naturebices. Coisa boa comer umas frutinhas com gosto de frutas de verdade.

Depois de comermos fomos caminhar pela cidade e foi entao que voltei a sentir os efeitos da tal da altitude: caminhando, despacito no mas, e conversando com o Amit, no plano, sem subir coisinhas nem nada, eu ficava como se tivesse corrido por 15 minutos sem parar – Raquel, Daniel, JC e outras pessoas metidas a atletas, pra mim 15 mimutos de corrida eh o equivalente a 2 horas de corrida de voces, tah? A tonturinha diminuiu, com as balinhas de coca, mas a falta de ar era demais

Aviso


Tem mais de 15 posts semi-prontos esperando para serem publicados. Os textos da minha aventura peruana jah estao prontinhos, soh faltam as fotos.

Aguarde e acompanhe!

domingo, junho 20, 2010

Lima, pra comecar.

De Peru - Dia 1 - 28 maio 2010 - Lima


Cheguei em Lima no dia 28 de maio e fui recepcionada no aeroporto pela Daisy, a irma do Humberto, um couchsurfer que mora em NYC mas eh peruano. Eu levei um computador velhinho pra ela. Eu queria pegar um onibus mas tanto o motorista de taxi (que sao bastante insistentes) quanto a propria Daisy me explicaram que eu precisaria pegar dois onibus, um para o centro e outro para o bairro de Miraflores, onde estaria hospedada e que era “muito perigoso”. O lance do perigo nao me assusta porque, brasileira, sei que o povo adora dizer que tudo eh perigoso, alem disso, estava apenas com uma mochila (tamanho das de laptop) e uma bolsa. Entao estava leve o suficiente pra andar por ai de busum, mas fui persuadida pelos locais. Peguei um taxi que me custou 45 soles. Antes disso troquei dinheiro no aeroporto, onde recebi 2 soles falsos, que soh fui descobrir no momento de pagar o taxi. 1 sol eh aproximadamente 2,80 dolares.

Em Miraflores, bairro classe media alta de Lima, fui para a casa do meu anfitriao, o Johny, que havia sido arranjado pela Kristin, uma CSer de Nova York. Kristin e Lianna haviam chegado a Lima no dia anterior e ficado na casa do Johny. A Lianna foi embora para Cusco e a Kristin e eu iriamos no dia segunte para Cusco, onde ficariamos todas no apartamento do Amit, um CSer de Nova York que estah viajando pela America do Sul ha mais de 7 meses, e agora resolveu fazer um pit-stop em Cusco, alugando um ap. Como varios de nos iriamos a Cusco entre maio e junho, ele alugou o ape – juntamente com a Marie-Line, uma CSer belga – e dividiu com quem chegasse. O pagamento pelas diarias era feito por contribuicao, em uma latinha, onde deixavamos o quanto pudessemos.

No meu primeiro dia em Lima caminhei, caminhei, caminhei horrores por Miraflores, fazendo um excelente reconhecimento local. Depois fomos para o parque Kennedy onde fizemos uma sessao de “Abracos Gratis”. Foi bem bacana ver a reacao dos peruanos a inusitada iniciativa de se distribuir abracos num parque da cidade, simplesmente pelo prazer de conectar-se com as pessoas. A maiora dos que pararam para um abraco foram criancas e idosas. Foi divertido. No final do dia, no parque, juntaram-se a nos a Emma e o Mike, que tambem estavam em Lima mas em um hotel proximo ao nosso anfitriao.

A noite fomos para um bar no bairro Barranco. O encontro estava marcado para 10; chegamos lah pouco antes das 10h e descobrimos que o bar abri as 10h30. Esperamos ateh 10h40, eu louca pra me ir embora, cansada e sem saco para festa. Entao voltamos para casa.

As veias abertas...

Foto: Brooke Anderson


Buenas, o semestre acabou e uma semana depois eu arrumei minha mochilinha e fui para o Peru e Equador. Passei 11 dias viajando, caminhando, comendo, bebendo e tentando aprender um pouco sobre outras partes da minha America Latina.

Em novembro comprei uma passagem para o Peru por 240 dolares. Pechincha. Ida e volta, Nova York – Lima – Nova York, com taxas. O voo tinha uma conexao em Guayaquil, no Equador, na ida, de uma ou duas horas e depois uma conexao de 12 horas, na mesma cidade, na volta. Bele, passeio basico no Equador e carimbinho no passaporte.

Um bando de gente, cerca de 20 pessoas, do Couchsurfing tambem comprou passagem pro Peru, mas em datas diferentes. Cinco outras meninas acabaram comprando a passagem para o mesmo voo que eu. Mas no meio do caminho a Lan mudou nossos itinerarios e tivemos qque trocar as datas da viagem, entao ficamos com datas ligeiramente diferentes e eu acabei indo sozinha – o que foi otimo.

Nos posts seguintes descreverei minha saga por terras peruanas!

sábado, junho 12, 2010

Atualizando de tras pra frente



Sabado nublado, 12 de junho, dia dos namorados. Estou num onibus saindo de Nova York e indo para Bethesda, no estado de Maryland. Vou visitar minha amiga Jacqueline. Sim, aquela que morava no mesmo ape no meu primeiro ano, que recebeu ao Martin e a mim no verao passado e que eh sempre uma fofa-maluquinha.

A nova maluquice da Jackie eh ir passar o verao na China, ensinando ingles. Entao ela vai pra lah na proxima quarta-feira. Como eu nao tive tempo livre antes (e daqui a pouco jah conto o porque – sem acento porque estou em teclado estadunidense, nao porque me adaptei a reforma ortografica, ainda sou dazantiga), vou neste final de semana visita-la.

Tambem em Maryland mora minha ex-colega da fisica, a Karen. Ela veio fazer um posdoc por estas bandas, apaixonou-se, casou-se, procriou-se (sic). Entao quero aproveitar e conhecer a Isabella, a filhinha da Karen.

Eh bom estar na estrada novamente, eh bom sentir o mosquitinho cigano. Siiiiimmm, eu estava viajando! Cheguei na segunda-feira e hoje jah estou na estrada novamente. O tempo nao para...

sábado, junho 05, 2010

Saudades


Saudades da minha maezinha, de apertar minha fofucha e encher de beijinhos!
Ah, e de deitar na cama dela e ficar vendo tv.

quarta-feira, maio 26, 2010

Teatro, musicais, Broadway (ou, vidinha mais ou menos)



Tudo começou com um email que minha amiga I-Ching, uma Taiwanesa fofa que eu adoro, me encaminhou um email que oferecia ingresso para assistir a um musical que começaria sua pré-estreia na Broadway. Claaaaro que eu respondi ao email, e depois encaminhei para outras amigas.

Daí que recebi a resposta e ganhei um par de convites. Outras amigas também ganharam.

Foi meu segundo musical na cidade, o primeiro na Broadway. Eu não gosto de musicais, mas gostei desse porque era precisamente sobre um dia num estúdio de gravação da Sony Records, numa noite de um lendário encontro de Elvis Presley, Johnny Cash, Jerry Lee Lewis e Carl Perkins. Encontro que ocorreu uma única vez na história, bla bla bla. Então foi bacana porque o povo não ficava cantando, dançando e interpretando (essa é minha "coisa" com musicais, prefiro tudo separado, a não ser que seja ópera).

Enfim, The Million Dollar Quartet foi bacana e, de graça, até injeção na testa.

Ano novo, vida nova



Bem, mais um semestre terminou. Sobrevivi ao meu segundo ano acadêmico na terra do Tio Sam. Foi um bom semestre acadêmico e um semestre interessante na minha vida de moradora em residência universitária.

Nestes semestre 4 das 5 meninas que moravam aqui foram embora. Uma delas estava comigo desde o início, agora se formou e foi morar sozinha, que bonitinaha, no seu primeiro apartamento. A outra não se formou, mas mudou-se também, é a mais novinha, e foi morar num apartamento dividindo-o com apenas uma pessoa. Além disso, ela está de namorado novo que ficava boa parte do tempo aqui, e ela não terá que assistir aulas neste semestre, daí a mudança. Uma terceira formou-se e voltou para o estado dela, foi para a casa dos pais. Finalmente, a quarta menina era recém chegada, ficou aqui só um semestre, mas mudou-se para o verão, colocou suas coisas num depósito (o que é muito comum em Nova York) e vai viajar durante o verão.

Antes de mudar-se a última menina citada ainda tentou colocar pedidos para que a louça fosse lavada, assim a pia poderia ser limpa durante a limpeza semanal que é feita por um empregado da universidade. Mas não adiantou muito. Daí, na segunda semana, a dona das louças imundas colocou suas louças sujas em cima do balcão da pia, espalhando suas coisas (foto acima), com a justificativa de que assim a pia poderia ser limpa. (é que funcionários não limpam nada que tenham coisas nossas, eles não estão autorizados a remover coisas. Imagina a dor de cabeça que deve dar se alguma das moçoilas reclama de algo que algum funcionário supostamente mexeu!)

Então nossa pia sem louças ficou assim:



Daí a moçoila colocou um bilhete dizendo que não lavava a louça há mais de duas semanas porque precisava comprar uma esponja nova. Tem um mercadinho 24 aqui na frente do prédio. Dá pra ir de pijama, até. Tinha esponja novinha dentro da gaveta do armário da cozinha. Quer desculpa mais esfarrapada? Ó o bilhetinho aí embaixo, e as marquinhas de eca na pia.



Nesta semana, depois que todas foram embora, eu e a menina que ficou nos juntamos para fazer uma limpeza geral, ou seja, colocar fora todas as coisas que as moradoras anteriores deveriam ter jogado fora antes de se mudarem. Depois de duas horas e meia de trabalho (sim, tinha muita coisa, por tudo: armários da cozinha, geladeira, banheiro...) enchemos 21 sacolas de lixo. Sim, aqueles sacos grandões, não sacolinha de supermercado, saco saaaaaco. A menina que ficou é muito engraçada, ela ficou puuuuuta com a menina que deixou um montão de creca pra gente se desfazer. Pelo menos foi divertido fazer a limpeza com ela. Incrivel como tinha coisa neste apartamento, assustador!

Como dizia um amigo meu, são apenas distintos padrões de limpeza.

Agora, que venham as novas companheiras!!!

Metida a barista



A novidade pros lados de cá é meu brinquedinho recém adquirido, uma máquina de café expresso DeLonghi EC155, que só falta fritar ovo.

Estou amando tomar expresso todos os dias, fresquinho, e tomar latte, fazendo o leite ficar cheio de espuminha. Uma delícia, delícia.

Claro que fico lendo tudo sobre café e sobre máquinas e sobre expressos. Sabe como é, tenho que entender minimamente da coisa enquanto estou no auge da empolgação.

Então passa agqui qualquer hora prum cafezinho!