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sábado, outubro 23, 2010

Mimada sim, e daí?


(Stefanie - pau pra toda obra, Karen - atual roommie, Sarah - ex-roommie, balzaca, Jackie - ex-roommie, I-Ching - pau pra toda obra made in Taiwan)


Já se passou uma semana. Agora é oficial, não tem pra onde correr: tenho 32 anos!

A festinha foi na semana passada, bem no dia do meu niver. Afinal, a pessoa tem que entrar no espírito de festinha quando o dia do aniversário cai num sábado, né? É presente divino, tá escrito nas estrelas, é conspiração do universo.

Buenas, vou tentar contar a historinha do meu niver da melhor e mais curta maneira possível, porque estou respondendo uma prova que tenho até segunda-feira pra terminar. Os dias aqui andam mais agitados do que nunca, mas deixarei minhas usuais reclamações para um outro post, neste, sou toda aniversário.

Eu não planejava fazer festinha e a única coisa que fiz foi divulgar para pessoas queridas meu "desejo de aniversário", que era uma contribuição de 10 contos para uma causa que eu apóio, o GEMS. O GEMS é um grupo que dá suporte a meninas que são exploradas sexualmente, e fica aqui em Nova York. O grupo faz um trabalho super interessante, resgatando meninas que estão em cárcere privado, há quadras de onde eu moro! Quer dizer, tem meninas de qualquer lugar do país, especialmente porque o GEMS vem crescendo, mas o lance é que o GEMS fica aqui em Nova York, onde há prostituição de menores, há cárcere privado e as meninas têm, com razão, muito medo dos cafetões. É uma realidade que muitas pessoas ignoram e tal e daí meu pedido de niver era levantar dim dim pra ajudar nos trabalhos do GEMS.

Aí depois que eu mandei por email e coloquei no Facebook o pedido, eu comecei a ver as doações. A primeira doação veio minutos após eu mandar o email, e foi da Naiara, minha baianinha em Nova York. Depois outras e outras doações foram enviadas e isso desencadeou uma vontade de reunir minhas pessoinhas queridas, ou seja, dar uma festinha.


Então juntei uma tradição estadunidense, o potluck, com o espírito de pobre que reside neste meu corpitcho, fazendo praticamente uma vaquinha. Potluck, na real, é o nosso tradicional "meninas trazem um prato e meninos trazem a bebida". Como uma expatriada que conhece várias pessoas na mesma condição, resolvi fazer um potluck temático e o tema era "memórias de aniversário". O lance era o seguinte, cada pessoa teria que trazer um prato, bebida, música, o que fosse, que tivesse relação com aniversários passados, coisas que elas lembrassem como sendo típica de aniversários em suas famílias.

No sábado, 16, a galerinha veio aqui pra minha casinha, prum lugar que seria o equivalente aos nossos "salões de festa de condomínio". Foi aqui no meu prédio, e eu fiz negrinho (= brigadeiro pra não gaúchos) e branquinho com côco (= beijinho para o resto do país). A Elise providenciou uma garrafa de velho barreiro e fiz caipirinhas até não querer mais. O Francis, bartender amador, me ajudou na elaboração da bebida. A Jackie, minha ex-roommate veio de Maryland pra festchinha, e ficou aqui de sexta à domingo. Foi super bom ver todo mundo. A festchinha foi às 5 da tarde, bem coisinha de balzaca dando uma de vou-fazer-festa-de-criança. E só não tive balão porque dava muito trabalho. Mas comprei toalha verde, guardanapos amarelos, copos azuis... distribui fitinha do bonfim pra todo mundo e, como sempre, não deixei ninguém esquecer que sou brasileira. Incrível como a gente fica mais brasileira fora do Brasil.


É ou não coisa de gente velha isso de ficar fazendo coisas de criança. Sim, porque quando eu era criança eu queria a morte e não queria balões e afins nas minhas festinhas. Tadinha da minha mãe...

O saldo do niver foi aaaalgo! Além das doações que superaram meu objetivo inicial (arrecadei 130% do pretendido), o povo veio e trouxe mundos de comidas, algumas com histórias mega! Como minha bonequinha de Taiwan (=minha amiga I-Ching) que trouxe o macarrão da longevidade e os pães de pêssego, que são tradições de aniversário pro povo do lado de lá. Teve também a baita ajuda da galera pra arrumar as coisas no "salão" e depois pra limpar tudo e trazer aqui pra casa.

Mas não é só isso!!!!

E o mundo de presentes que eu ganhei? Coisa mais amada! Minha outra amiga de Taiwan, Yi-Chung, me deu uma caixinha com uns doces tri bons, tipo uns sonhos, mas mais leves, um cartão mega hiper ultra fofo e um certificado pra eu ir num restaurante que, por acaso, eu estava mesmo louca pra experimentar (e ela nem sabia!). Não é a coisa mais querida? Gente, e uma colega minha do doutorado que me trouxe uma sacola do Trader's Joe (lembra, Martín, o mercadinho hippie organico estiloso?) cheeeeeeeia de compras do mesmo mercado (com um vidro de azeite delicioso, por exemplo). Meu, eu juro que fiquei totalmente sem jeito. Amei. Foram tantos os presentes. Sei lá, depois de velha acho que a gente perde essa coisa de ganhar presente, então foram todos inesperados. Ganhei uma bolsa linda, um livro de uma autora que eu adoro e sobre feminismo. O Fabio me mandou um sabonete de lavandatudodebom. Sim, o Fábio, que mora em Salvador. Uma amiga me deu um poeminha, uma caixinha de vidro toda chique e linda, mais umas outras coisinhas fofas e um Moleskin (caderninho ultra tradicional aqui) pra ser meu pequeno livro negro de segredos. Uh, várias histórias pra contar. Até parece. Ainda na ala livro, a fofa da Ivy me deu um caderninho tãaaaaaaaao amadinho. De mim pra eu mesma, assim, enquanto pessoa humana, me dei um espartilho e uma saia longa mega ultra. Ganhei flores, lipbalm, cartões, mimos e mais mimos.

Mas espere, ainda não acabou!

E as ligações telefônicas do além? (Além é qualquer lugar fora dos Estados Unidos, ou melhor, além é qualquer lugar que não seja minha atual localização.) Meus fofitchos ligaram pra me dar os parabéns. Sim, eu recebi o recado, Martín, é claro!!! Meu pseudo espanhol metido a inglês, e meu companheiro de tardes com Casos de Família.

E se você aguentar esta lenga lenga mais um pouquinho, tem mais!

(nada como os peitchos das amigas pra disfarçar as gordurinhas da gente, né?)

Claro que tem a ala recados no orkut e no facebook, que sempre me surpreende. Adoro aniversário como uma desculpa pra gente dar oi pras pessoas que a gente gosta e nunca tem tempo. Não se preocupe, quem nem me deu oi ou parabéns. Eu sou a rainha de não lembrar do aniversário de ninguém. Nem com lembretes do Orkut, Facebook etc. Portanto, não só não espero que demais seres lembrem do meu niver, como fico muito muito lisonjeada de receber um "Parabéns" solito. Isso é muito mais do que eu sou capaz de fazer. Então eu sei o custo de dar parabéns. E por todos os parabéns eletrônicos, fiquei super super feliz e me sentindo a bolachinha mais recheada do pacote.

E quando você pensa que acabou... tem mais. Sim!!!

Na sexta não tive tempo de abrir minha caixinha de correspondência, nem no findi. Daí na segunda-feira eu abri e tinha um envelopitcho do estado de Nova York. Abro. É um cheque no valor de 259 dólares. Para boa entendedora, meia palavra basta. Isso foi um presente divino de deus dos céus, pelas mãos do estado de Nova York, com a desculpa esfarrapada de restituição de imposto de renda. Espera, deus não quis apenas me dar dinheiro. O que deus queria era me dar o novo iPod Touch, que custa 249 dólares. Os 10 dólares restantes no cheque era pra passagem do metrô, mais um lanchinho na viaji (sic). Deus cuida dos mínimos detalhes. Na terça-feira fui na loja da Apple e comprei meu lindo maravilhoso esplendido não-sei-como-vivia-até-então-sem iPod Touch.

Fala sério, eu sou ou não mimada?

(aham, essa foi a versão resumida da história, e não reclama)

sábado, agosto 14, 2010

Só no paparico



Não há coisa melhor no mundo do que ter amigas casadas que também moram no exterior. Elas me dão casa, comida, comida, comida, comida e um monte de paparico.

Desculpaí se eu sou estudante pé rapada e não posso retribuir tá!

Deus lhe pague e lhe dê em dobro, tia!

quarta-feira, julho 21, 2010

Redescobrindo Lima

From Peru - Dia 9 - 05 jun 2010 - Lima

No centro de Lima fomos ateh o Museu da Literatura Peruana que fica num predio fantastico, onde era a antiga estacao central de trem da cidade. O museu estah o maximo e foi inaugurado em 2009. Foi espantoso ver tanta gente no museu, gente de todas as idades, e que pareciam nativos, num sabado a notie. Alias, o centro todo estava tomado de peruanos passeando, o que me causou surpresa. Acontece que no centro fica a casa do governador, entao o policiamento lah eh impressionante e torna-se uma parte bem segura da capital. Mas uma coisa que eh interessante eh que estes foram os policiais mais fofos que jah vi na vida. Abaixo, uma prova:

From Peru - Dia 9 - 05 jun 2010 - Lima

Depois disso fomos olhar artesanatos e acabamos numa feira gastronomica bem popular que foi excepcional e provamos varias comidinhas peruanas. Nossa noite teve direito a show do Rick Martin peruano (que era, na verdade, um cover do Michael Jackson! Sim, eu sei).

From Peru - Dia 9 - 05 jun 2010 - Lima

Andamos e andamos pelo centro depois pegamos um taxi e fiquei no meu albergue, Nati e Dani foram pra casa de uma amiga, onde estavam hospedados, ha algumas quadras de onde eu estava. Eu jah mencionei algo sobre mundo gema, neh?

Quando cheguei no albergue a Lianna estava lah, entao desci com ela para pegar algo pra ela comer, depois voltamos para o albergue, tomei banhinho e fui dormir um soninho tri bom, de quem estava mais do que morta.

Na manha seguinte pegamos um taxi (30 soles) para o aeroporto e assim encerramos nossa aventura peruana. Amei amei amei!!!

De volta a Lima: encontros e desencontros



From Peru - Dia 9 - 05 jun 2010 - Lima


No dia 5 de junho fui com a Lianna para o aeroporto. Antes passamos na padaria perto da casa do Amit para tomarmos cafeh da manha, e ele foi junto. Descobri que cacetinho (pao frances) se chama carioca no Peru. Comi um carioca bem gostosinho, com queijo e presunto. Alias, dois cariocas. E tomei um suco de laranja com mamao. Encerrando deliciosamente minha aventura cusquenha.

Pegamos um taxi para o aeroporto e desembarcamos na capital peruana. Em Lima estava determinada a pegar um onibus e foi o que fiz. Eu me amo. Por apenas 2 soles (e nao 45) cheguei em Miraflores, onde fui a cata de um albergue. Ficamos no Flying dog, onde pagamos 23 soles pela noite, e ficariamos apenas uma noite, mesmo. Deixei minhas coisinhas, coloquei num armario, fechei meu cadeadinho e fui buendear pela cidade.



From Peru - Dia 9 - 05 jun 2010 - Lima

Ainda bem que eu tinha explorado bastante o bairro, a pe, anteriormente, entao foi facinho descer do onibus e depois me virar por Miraflores. Fui na parte que nao havia ido quando da minha primeira passagem na cidade. Entao, a beira do Pacifico, fui no shopping center gigante e supostamente chique. Chique para padros novos-ricos-sulamericanos, neh? Coisa mais de mal gosto eh impossivel. Eh como um... putz, qual o nome daquela tentativa de shopping, super de mal gosto, em Salvador. Enfim, eh um monstro a beira da praia. Tem de tudo. Eu estava abismada com o lugar, andando pra lah e pra cah, quando, de repente, nao mais que de repente, vejo o casal luso-andorrenho mais fofo que conheco: minha colega Fulbrighter Natali e seu marido Daniel.

Acabamos passando o restante do dia juntos e nos divertimos horrores. Andamos por Miraflores, fomos ateh o parque amor e depois pegamos um taxi ateh o centro de Lima. Pegamos um taxista fantastico, que conversou horrooooores com a gente e foi a coisa mais amor.

terça-feira, julho 20, 2010

Bye, bye Cusco!

From Cusco - Dia 7 - 04mai2010 - Bye Cusco


Dia 4 Junho era praticamente meu ultimo dia em Cusco, entao acorde tranquilex, fui andar pela cidade, comprar as ultimas coisinhas, voltei no mercado central para mais uma salada de fruta, caminhei, caminhei, fotinhos, papeei, e fui para uma sessao de massagem: a 20 soles! Uma hora de massagem por 13 reais, era o que meu corpo, e bolso, precisavam. A massagem era meia boa, um monte de oleo, mas enfim, eh bom ficar deitadinha por uma hora com alguem te apertando toda.

Finalmente tirei algum algum dinheiro, jah que nao tinha nem um puto tostao. E estava com aquele sentimento de “ah, eh o ultimo dia, estou em ferias, aziras (gauches para “azar”)”.

Machu Picchu!!!


From Cusco - Dia 6 - 3jun2010 - Machu Picchu


Acordei as 4 da manha, fui no cafe ao lado do correio, e comprei um cafe que estava tri bom, comprei um chocolatim e paguei pra entrar na internet no tal cafe. Paguei com cartao de credito e me cobraram 10% por pagar com cartao. Mas paguei pra usar a internet somente para alertar minhas companheiras de viagem que estariam pegando o bus pra Aguas Calientes naquela manha, entao eu queria dizer como a cidade funcionava e dar a dica de onde dormi.

Fui para a parada do busum porque queria pegar o primeiro bus, as 5h30, e ver o sol nascer na cidade perdida dos incas. Cheguei lah e tinha uma fila do cao. Peguei o oitavo onibus e vi o sol nascer no busum mesmo. Como o onibus era muito caro, no dia anterior eu comprei apenas a ida e decidi que desceria de Machu Picchu a peh, porque achei uma roubalheira cohbrarem 20 soles para para a passagem do bus que leva uns 15 ou 20 min pra fazer o trajeto (que leva duas horas a peh). Como pra baixo todo santo ajuda, eu paguei pra subir, neh meu bem.

Cheguei em Machu Picchu e cada centavo de roubalheira em Aguas Calientes foi recompensado. O lugar eh fantastico, maravilhoso, espetacular e nao ha palavras para descrever a geniosidade – e engenhosidade – do povo inca. Jah que nao dah pra descrever mesmo, nao vou ficar aqui enrolando e tentando encher de adjetivos minha experiencia em Machu Picchu.. Foi otimo e isso eh tudo.



From Cusco - Dia 6 - 3jun2010 - Machu Picchu


Andei, andei, andei. Fiz fotos ateh dizer chega. E acabei ateh fazendo uma companheirinha de caminhada para a volta. Sim, eh bom ficar sozinha. Mas sim, tambem eh bom encontrar companhia. Minha companheira foi a Sylvia, uma alema de 50 e poucos anos que estava viajando sozinha – e estarah em Nova York em breve!

Quando chegamos de volta em Aguas Calientes nos despedimos e fui sentar na praca. Eu sabia que se ficasse por ali tempo suficiente eu acabaria encontrando a Kristin, Emma e cia. Dito e feito, uns 10 minutos ali e ouvi a caracteristica voz da Kristin. Entao fomos todos almocar/jantar. Como agora eu jah estava safa com o comercio local, fomos num restaurante e perguntamos TUDO antes. Cobra a mais pra usar cartao de credito? Cobra impostos extras (-sim, de 20%, - um bla bla bla e: mas fazemos um desconto e vamos cobrar de voces soh 10%). Ao inves dos precos no cardapio, ganhamos desconto de qualquer prato ateh 40 soles por 20 soles. Alem disso ganhamos um pisco sour cada um. Ok, decidimos ficar ali. Comemos e a refeicao estava divina.



From Cusco - Dia 6 - 3jun2010 - Machu Picchu


Foi lah que experimentei a carne de alpaca. Meu blusaozinho de alpaca acompanhou a janta. O pisco sour estava tri bom tambem. Depois fomos para o cafeh, tomei um cafezinho tri bom e compartimos sorvete, brownie e torta de chocolate. Cobraram-me 1 dolar por usar o cartao – nao sei que fim levou a regra dos 10%! Entre mortos e feridos, salvaram-se todos em Aguas Calientes e meu coracaozinho ateh ficou cheio de ternura.

Voltei para Cusco numa viagem mega cansativa. Cheguei na estacao de trem e os taxistas filhos da puta queriam me cobrar 11... 8... soles pra me levar pra casa. Cara de pau da porra! Custa 2 ou 3 soles o taxi! Fiquei puta e fui A PEH pra casa. Va se catar! Primeiro porque eu sabia onde estava e quao longe eu estava. Segundo que eu nao tenho medo do escuro (era quase meia noite). Terceiro que pra quem jah tinha andando ateh morrer o dia inteiro, uma mortezinha a mais uma a menos nao faria tanta diferenca.

Indiada


From Cusco - Dia 5 - 02jun2010 - Ida Aguas Calientes


Cheguei em Aguas Calientes por volta da 1 da tarde e fui catar um lugar pra passar a noite. A cidade eh um cuzinho cheio de pousadas, hoteis, restaurantes e uma populacao que lah vive e disso vive. O lugar lembrou-me muito Morro de Sao Paulo, guardada as proporcoes.

Depois de alguma peregrinacao acabei ficando numa hospedagem ao lado dos correios da cidade. Por 20 soles (uns 13 reais) eu consegui uma cama grande soh pra mim, um banheiro soooooh pra mim, toalha, papel higienico e sabonete. Sim, soh pra mim. Acabei deitando na cama, soh pra experimentar e cai no sono. Depois acordei e fui “explorar” a cidade. Andei pra lah e pra cah, vi uma piazada jogando futebol, tirei umas fotinhos, interagi com um ou outro nativo e depois fui tomar um cafe. Ai comecou meu odio pela cidade. Entao o cafe era 5 soles. Ok. O cafeh era ruim, ruim, ruuuuuuim que eu nao consegui tomar. Fui pagar: 7 soles. Como assim? Ai, tem 1 de imposto e 1 pro nosso salario. Filhos-da-puta-ladroes-mercenarios-enganadores-de-turistas. Andei, andei, andei pra aliviar meu odio. Depois fui jantar. Ok, depois de conversar e conversar pra ter certeza da negociacao do prato, aceito um frango por 8 soles. Vou pagar e o carinha me diz: nao, sao 14. Hein? Nem preciso dizer que odiei-muito-tudo-isso, neh?

Como estava com muito odio no meu coracaozinho eu desisti de explorar a cidade e resolvi pagar e entrar na internet. Lenta. Muito lenta. Nao, tipo, MUITO lenta. Fui pro meu quartim dormir e esperar por Machu Picchu. Essa porcaria tinha valer muito a pena.

quinta-feira, julho 01, 2010

Gema, gema, gema



From Cusco - Dia 5 - 02jun2010 - Ida Aguas Calientes


Falando em Machu Picchu... no dia seguinte, 2 de abril, eu parti na minha jornada solita para a cidade perdida dos incas. Nao fui com a galera para Machu Picchu, ao contrario, peguei meu onibus sozinha, o trem e todo o resto. Foi no exato momento da viagem porque eu jah estava precisando ficar sozinha. Quem jah viajou comigo sabe, eu PRECISO ficar sozinha por um tempinho durante qualquer viagem, por melhor que seja a companhia. Alem disso, penso que Machu Picchu seja algo para ser feito ou com uma companhia de viagem muito parceira ou entao algo para se fazer mesmo a sos, no seu ritmo proprio, aproveitando para pensar na morte da bezerra e essas coisas todas.

Peguei o bus que eh parte do ticket do trem em Cusco. Eh um bus porque houve uma serie de deslizamentos na regiao ha algum tempo, entao nao ha trem entre Cusco e Ollantaytambo por enquanto, mas a viagem deveria ser toda em trem.

No onibus conheci um casal, as primeiras pessoas negras que vi em Cusco. Eles eram de Nova York, do Harlem. Puta que pariu, neh, eu saio de NYC para encontrar meus vizinhos no Peru! Mundo pequeno do caramba!

Ai depois, em Ollantaytambo – na verdade eh um pouco depois de Ollantaytambo, na tal da hidreletrica – descemos todos na estacao de trem onde ha um local de espera para pegarmos o tem. Quando o trem chegou fui para o vagao qur tinha minha letrinha. Dai uma mocinha falou na fila que eu estava na fila errada, eu e a outra menina atras de mim. Ok, mudamo-nos para a fila correta. Enquanto caminhavamos para a dita fila, batemos um papinho e, pra minha surpresa, a guria morava em Morningside Heights! Esse eh o nome chique para Harlem. Eu facilito a vida e digo que moro no Harlem, por motivos politicos e etcetera, mas o nome “tecnico” de onde moro eh Morningside Heigths.

(parenteses: Morningside Heights eh a parte do Harlem onde fica a Columbia University, uma Ivy League da vida. Ivy League eh chamado o grupo das 7 melhores universidades da costa leste dos Estados Unidos; sao universidades particulares, tradicionalmente top top e super caras. Eu estudo na Columbia. Entao para nao se dizer no Harlem, o bairro mais negro dos Estados Unidos, e que historicamente era muitissimo pobre, a parte da Columbia e arredores fica no Morningside Heights. Fecha parenteses)

Mas entao, vai dizer que nao eh um mundo ovo!!!







De Cusco - Dia 5 - 02jun2010 - Ida Aguas Calientes


Peguei meu trenzinho, o New Backpacker. Tem o Backpacker, o New Backpacker (que eh o mesmo preco do anterior, e sao os mais baratos, 50 dolares-olhos-da-cara o trecho Cusco-Aguas Calientes), o Vista Dome, que eh chique, e o Hiram Brigham (ou algo assim), que eh o trem puta chique e caro, que leva o nome do estadunidense que “descobriu” Machu Picchu (tipo, descobriu porque pagou 1 sole prum nativo que dizia que existia um monte de ruinas no meio da selva; dai o pesquisador pagou a grana, o nativo mostrou as ruinas, o Hiram ficou famoso, todo mundo comecou a explorar Machu Picchu e era isso).

Sentei no trenzinho e tinha uma mesinha e na minha frente um casal dos Estados Unidos. Batemos papinho e tal e depois de muitcho muitcho papo, descobrimos que a filha deles vai agora estudar na Columbia, comeca este semestre. Nao contente com o mundo-ovisse, o universo coloca a filha do casal estudando nao soh na mesma universidade como na mesma faculdade, ela vai pro Teachers College. Como Deus eh um cara gozador e adora brincadeira, bora colocar a menina morando no mesmo predio que eu, uma andar acima. Vai ser mundo gema na PQP!

Causa rellena



De Cusco - Dia 4 - 01jun2010 - Chilling


Dia 1o de junho eu usei para fazer nada. Andei pela cidade o dia inteiro e me cansei bastante. Neste dia, tambem, chegaram a cidade outros amigos couchsurfers: Dileep, Frank e Chris, eles estavam em Arequipa, outra cidade no Peru, e jah estavam nas estadas sulamericanas ha algumas semanas.

A noite saimos para jantar e fui com a Emma, o Mike e a Marie-Line num restaurante chamado Tabasco, que tinha precos bem razoaveis e uma comida muito gostosa. Experimentei uma causa rellena, meu primeiro pisco sour e comi uma saladinha, pra desintoxicar dos carboidratos da Maria Luiza.


De Cusco - dia 3 - 31maio2010 - Ollantaytambo

Depois da janta nos encontramos com os outros, que haviam se separado para comer em diferentes locais, e fomos todos para um bar onde tomei mais pisco sours...

Eu acho que essa foi a ordem das coisas, tenho um pouco de duvidas se a janta foi no dia 31 ou 1o, mas isso nao faz a menor diferenca, neh? Faziamos tanta coisa todos os dias que parece que um dia era feito de tres. Andei tanto tanto tanto... que voltei a Nova York com menos quatro quilos. Preciso ir a Machu Picchu uma vez por mes ateh o final do ano, pelo menos!

As construcoes de Ollantaytambo

De Cusco - dia 3 - 31maio2010 - Ollantaytambo



No dia seguinte, 31 de maio, pegamos um busum e partimos para a cidade de Ollantaytambo. Sacolejamos bastante num onibus, por umas 3 horas, ateh uma cidade que nao lembro o nome agora, depois seguimos de taxi ateh Ollantaytambo. Ollanta eh uma cidade bem fofinha e tem o sitio arqueologico mais lindinho que vi, fora Machu Picchu, claro.

De Cusco partimos Kristin, Lianna, Emma, Mike e eu, mas na tal cidadezinha Liana, Emma e Mike pegaram um taxi e Kristin e eu queriamos ver quanto saia seguir a viagem de busum. O que acontece eh que os precos sao mais baratos, evidentemente, para locais (bus) do que para turistas (taxi) e o povo da ala 1 nao se importava muito de pagar mais, especialmente porque na hora da conversao para dolar, esses valores nao pareciam terriveis. A questa (sic) eh que eu nao estava viajando nos isteites, portanto nao queria pagar precos de isteites, ora bolas. Buenas, resultou que acabamos pegando um taxi, mas coletivo. Explico: no Peru chamam de coletivo taxis que levam pessoas “misturadas”, como se fosse uma lotacao (Porto Alegre), um executivo (Salvador). Entao a Kristin, eu, um outro menino que encontramos por lah e que era dos Estados Unidos e uma outra mulher (nativa) que levou a filhinha no colo, fomos num taxi por 2 soles cada.

A Kristin e eu fizemos todas as trilhas do sitio de Ollantaytambo, foi massa, foi tri, foi maneiro! A cidade eh a coisa mais fofa, super bonitinha e se eu soubesse teria ido pra lah de onibus e ficado uma noite num albergue por lah, antes de seguir para Machu Picchu, jah que teria que voltar ateh Ollanta para ir a Machu Picchu.

Na volta, pegamos um taxi, tambem coletivo, e depois um onibus. A viagem de onbus, na volta, foi uma aventura. Sentei-me ao lado de um menino que estava mais pra lah do que pra ca. Ele subira no busum com seus amigos musicos, eles estavam vindo de uns shows que fizeram, e iriam fazer mais shows ao longo da semana. O menino ficou de papo, de papo e eu dei corda. No fim ele era super super gente boa, coisa mais querida, um estudante de agro-engenharia que toca num grupo musical nas ferias para fazer dinheiro e se sustentar na faculdade, alem de tentar fazer dinheiro para ajudar sua irma mais nova. O objetivo dele, na vida, eh poder dar para a irma tudo o que ele nao teve. Primogenito de uma familia de apenas dois filhos, esta morando longe dos pais, por causa da universidade, e sua mae nao gosta que ele beba. Reclamou que eh dificil ter amigos de verdade, que os amigos soh estao junto para festa, mas nos momentos dificeis desaparecem. Ensaiou umas palavras em portugues e disse gostar da musica Brasileira.

Na volta de Ollantaytambo resolvi ir a pe da parada de onibus em Cusco ateh a casa do Amit. Incomoda-me um pouco esta coisa de andar de taxi o tempo todo. Tudo bem que eh barato e que como sempre dividimos acaba saindo bem em conta (1 soles pra cada), mas mesmo assim, eu gosto de caminhar e ter uma boa nocao de onde estou, de ter uma melhor nocao da cidade em si e para isso o unico remedio eh caminhar. Entao tentei usar meu ateh-relativamente-bom senso de direcao, pedi ao motorista pra descer do busum a uma certa altura antes do fim da linha e pus-me a caminhar. A Kristin estava um pouco receosa, mas o povo estadunidense, pareceiro de viagem, com excessao do Amit, era todo receoso. Impressionante! Enfim, caminhamos e dai vi uma estacao de policia, entrei e pedi informacoes. O Beto (sente a intimidade) foi super querido e nos mostrou como chegar ateh em casa. Sim, estavamos perto de casa. Eu me amo. Alias, o Beto era um policial tri gatinho, se eu fosse meio metro menos alta ateh dava em cima dele.

A trilha Tambomachay


De Cusco - dia 2 - 30maio2010 - Tambomachay trail


No dia seguinte, 30 de abril, fomos fazer o tour de Tambomachay. Que incluia 3 dos 13 sitios arqueologicos do boleto turistico. Primeiro pegamos um onibus (2 soles) ateh Tambomachay, depois descemos a pe, ateh Cusco. Sao 8Km e no caminho paramos em Quencho e Sachsayaman (que ganha o apelido de Sexy Woman, pela pronunca de seu nome).

No inicio da nossa caminhada, na parte mais alta, tinham uns vendedores de artesanato e comprei meu blusaozinho de alpaca que me seguiria fiel durante toda a viagem. O senhor de quem comprei o blusao me deu um ramo grande de munha, uma planta local que, segundo ele, iria me ajudar a adaptacao com a altitude e a falta de ar. Isso porque quando passei pela sua barraquinha, na ida, eu estava naquele estado, morrendo-com-a-lingua-pra-fora. Entao peguei a munha e fiquei mascando. Na volta comprei o blusaozinho.

No caminho, durante a descida, paramos na estrada na casa de uma senhora que tinha varios porquinhos da india pelo chao e ateh uma ninhada (serah que se chama ninhada?). Sim, porquinho da india eh uma das iguarias peruanas. Eu queria tanto ter comido, mas nao comi. A senhoa essa levaria uma hora para matar, limpar e preparar os porquinhos, entao nao dava para a gente porque levaria muito tempo e ainda tinhamos a maior parte da caminhada pela frente.

Nao senti mais a tonterinha de quando sai do aviao no dia anterior, apenas a falta de ar. Mas agora soh sentia falta de ar quando subia em superficias inclinadas ou escadas, jah conseguia caminhas no plano, falar e nao morrer ao mesmo tempo. Durante este dia, alem da munha, fiquei mascando folhas de coca e tomando mate de coca. Coisa mais linda as fotos em que apareci, cheia de mato verde na boca. Outra coisa mais fofa e que estava com uma toquinha azul e um cardigazinho. A toquinha eh fofa. O cardiga eh fofo. Minha bermuda e meu top eram bem bonitinhos. Mas a combinacao desses quatro elementos formava o quadro da dor. Paciencia, o importante era ficar quentinha, quem liga para sair bem na foto.

Quando chegamos a Sachsaywaman observei um grupo de turistas, com uma guia. Aproximei-me. A guia falava em espanhol, entao colei no grupo e, digratis, fiquei pegando as informacoes sobre o lugar. Essa, alias, foi a estrategia que adotei ao longo da viagem nos demais lugares que iamos.

segunda-feira, junho 28, 2010

Voltando a Cusco...



De Cusco - dia 1 - 29mai2010


Andamos bastante pela cidade, digo, pelo centro; por suas ruelas e ladeiras, compramos a entrada para o santuario de Machu Picchu e o boleto turistico, um ticket que da direito a visita de 13 diferentes sitios arqueologicos na regiao do Vale Sagrado – estudante com carteirinha valida paga meia!!! Vale a pena, porque os tickets sao caros. Mas deixamos pra comprar o boleto turistico no dia seguinte, num dos proprios sitios arqueologicos, jah que essa opcao era possivel, e tambem porque nao tinhamos mais dinheiro – tudo tem que ser pago em especie!



De Peru - photos By others

Tiramos varias fotinhos no centro de Cusco e depois voltamos pra casa, onde a (qual o nome dela mesmo, putz, que feio!) cozinheira que “veio junto com o aluguel do apartamento (!)” nos espearia preparando a janta. Quase todos os dias em Cusco comemos jantinha preparada pela Maria Luiza (Ufa! Se eh que este eh seu nome, espero que sim). Entao na primeira noite a janta foi carboidrato com carboidrato: batata com arroz. Servi-me bem pouquinho porque nao estou acostumada a tal combinacao. Mesmo comendo bem pouco, ainda deixei parte da comida e tive refluxo e me senti um pouco mal.

*Na foto, suquinho de abacaxi que Maria Luiza preparou.

segunda-feira, junho 21, 2010

Cusco e a altitude




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Na manha seguinte, no dia 29, embarcamos todos para Cusco. A Kristin e eu pegamos um taxi de Miraflores ateh o aeroporto por 33 soles, chamando pelo numero 35555555 (seja lah quantos digitos tem os telefones em Lima, 3 e um monte de 5). O voo foi pela Peruvian Airlines, que havia feito 6 meses de aniversario cerca de um mes antes e em comemoracao realizou 3 dias de vendas promocionais. Com sorte, fiquei sabendo da promocao e comprei meu voo para Cusco por apenas 98 dolares, ida e volta, com taxas. Ainda no aeroporto de Lima comprei umas balinhas de coca, soh para o caso de sentir os efeitos da altitude. Ao fazer o check-in descobri que se paga uma taxa no aeroporto, pelo uso de suas facilidades, no valor de sei-la-eu-quantos soles – porque jah me esqueci. Fiquei puta, mas fazer o que!

O voo foi de uma hora e um pouquinho mas ganhamos comidinha e foi bem boa. Um lanchinho, mas bom. Ao chegar no aeroporto de Cusco eu jah comecei a sentir uma dorzinha de cabeca e um enjoozinho. Comi uma balinha. Psicologico ou nao, me senti melhor. Nos dias que se seguiram tomei mate de coca todos os dias, comi balinhas de coca, masque folhas de coca e de munha – uma planta local –, fiz tudo para aliviar os sintomas da altitude no organismo.

Chegamos em Cusco, pegamos um taxi e fomos pra casa do Amit. 5 soles pelo taxi. Uh, que alivio no bolso. Largamos nossas coisas e fomos dar uma volta no centro da cidade. Nossa primeira parada foi no mercado central de Cusco, onde fomos na barraca 64, a favorita do Amit, para uma salada de fruta com iogurte e outras naturebices. Coisa boa comer umas frutinhas com gosto de frutas de verdade.

Depois de comermos fomos caminhar pela cidade e foi entao que voltei a sentir os efeitos da tal da altitude: caminhando, despacito no mas, e conversando com o Amit, no plano, sem subir coisinhas nem nada, eu ficava como se tivesse corrido por 15 minutos sem parar – Raquel, Daniel, JC e outras pessoas metidas a atletas, pra mim 15 mimutos de corrida eh o equivalente a 2 horas de corrida de voces, tah? A tonturinha diminuiu, com as balinhas de coca, mas a falta de ar era demais

sábado, junho 12, 2010

Atualizando de tras pra frente



Sabado nublado, 12 de junho, dia dos namorados. Estou num onibus saindo de Nova York e indo para Bethesda, no estado de Maryland. Vou visitar minha amiga Jacqueline. Sim, aquela que morava no mesmo ape no meu primeiro ano, que recebeu ao Martin e a mim no verao passado e que eh sempre uma fofa-maluquinha.

A nova maluquice da Jackie eh ir passar o verao na China, ensinando ingles. Entao ela vai pra lah na proxima quarta-feira. Como eu nao tive tempo livre antes (e daqui a pouco jah conto o porque – sem acento porque estou em teclado estadunidense, nao porque me adaptei a reforma ortografica, ainda sou dazantiga), vou neste final de semana visita-la.

Tambem em Maryland mora minha ex-colega da fisica, a Karen. Ela veio fazer um posdoc por estas bandas, apaixonou-se, casou-se, procriou-se (sic). Entao quero aproveitar e conhecer a Isabella, a filhinha da Karen.

Eh bom estar na estrada novamente, eh bom sentir o mosquitinho cigano. Siiiiimmm, eu estava viajando! Cheguei na segunda-feira e hoje jah estou na estrada novamente. O tempo nao para...